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Um diário trasladado

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02
Fev18

Viva Manuel João Neto


Eremita

Há dias, encontrei na livraria francesa de Lisboa um livro português. Ou melhor: a tradução portuguesa de um livro de um escritor americano: o livro chama-se Central Europa (título original: Europe Central), o seu autor chama-se William T. Vollmann e foi traduzido em português por Manuel João Neto e a editora é uma “sociedade unipessoal” chamada 7 Nós, que já tinha editado um livro de contos do escritor e outras raridades. Tudo aqui é estranho e, ao mesmo tempo, muito eloquente: uma pequena editora, que se apesenta como “sociedade unipessoal”, edita um livro precioso e inclassificável (ficção, historiografia, romance histórico, sucessão de histórias que se situam na Alemanha e na União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial), de um grande escritor que desdenha olimpicamente dos modelos romanescos de uma literatura homogeneizada, fiel aos estereótipos do género, universal na sua menoridade. O autor da tradução portuguesa deste livro que tem mais de novecentas páginas é um nome que não conseguimos localizar em nenhum território publicamente conhecido da coisa literária. Que louco é este que investiu um bom pedaço de vida numa tarefa gigantesca e silenciosa, condenada a uma quase clandestinidade? A pergunta não é retórica: gostava de saber quem é e presumo que é um perdulário obsessivo, de paixões fortes por certos livros e muito imprudente. António Guerreiro

 

Se o leitor pesquisar o nome “Manuel João Neto” no Google, será colocado perante um dilema: a hipótese extraordinária de que existe em Portugal um canalizador que traduziu para português um calhamaço do norte-americano William T. Vollmann (e também este livro do mesmo autor) versus a hipótese mais prosaica de que a tradução foi feita por um seu homónimo que é tradutor, ensaísta, licenciado em Direito e pós-graduado em sociologia da arte. Creio que a parcimónia nos obriga a optar pela segunda hipótese e seria caprichoso admitir uma terceira hipótese, de verosimilhança intermédia relativamente às duas anteriores, que seria a existência de um único Manuel João Neto, canalizador pós-graduado em sociologia da arte e tradutor de Vollmann.

 

O Google também nos ensina que Manuel João Neto nasceu em 1982, que "foi o responsável editorial, entre 2001 e 2009, pela revista Acto", que "publicou textos teóricos em diversas publicações (e.g. 1, 2), tendo sido, mais recentemente, o autor dos ensaios críticos dos catálogos das exposições colectivas MV/C+V (2009) e Guimarães – Arte Contemporânea (2011), ambas realizadas no Centro de Exposições do Centro Cultural Vila Flor (Guimarães)"; que se envolveu "em projectos colaborativos com a Associação Soopa e com o curador/programador Ivo Martins"; que "trabalha regularmente na escrita e revisão de textos"; que tem obra publicada como autor. Não se trata aqui de corrigir António Guerreiro, antes pelo contrário. O cronista apenas exagerou o ostracismo de Manuel João Neto para frisar o elogio que lhe faz, aproveitando para deixar subentendido que no "território publicamente conhecido da coisa literária" impera a menoridade. Entenda-se o relativo anonimato de Manuel João Neto como a prova de que a sociedade não está completamente homogeneizada e ainda há nichos onde um "perdulário obsessivo" pode existir.

 

 

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