Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

OURIQ

Um diário trasladado

OURIQ

Um diário trasladado

17
Mai17

Violência doméstica: dar a outra face


Eremita

Há uns meses, testemunhei em favor de um acusado de violência doméstica. Ontem, soube que um amigo foi acusado de violência pela mulher. Têm vários filhos e estão juntos há uns vinte anos; lembro-me que o dia do casamento deles foi muito bonito para todos nós. Ao que parece, as "provas" andavam a ser acumuladas há dois anos. Como não cheguei a estreitar relações com quem acusa, que nunca perdeu o estatuto redutor de mulher do meu amigo, sei que me falta objectividade para apreciar o caso. Entre a completa invenção de alguém sem escrúpulos e o relato exacto de uma vítima destroçada, há um espectro complexo de cenários possíveis, cada qual sujeito a interpretações divergentes. Torço pelo meu amigo, com a esperança de que, a ter havido violência, não passou de um raro safanão ou apertão no braço em duas décadas de vida doméstica.

 

As campanhas contra a violência doméstica e o facto de ter passado a crime público são progressos civilizacionais que não resolveram o problema. O número de mulheres todos os anos assassinadas pelos seus companheiros e os resultados de inquéritos sobre o comportamento dos jovens namorados são ainda assustadores. É preciso que a violência doméstica ganhe o estigma de comportamento absolutamente intolerável e vergonhoso, uma evolução que, por causa da componente passional, se afigura mais lenta do que aquela por que passou nas últimas décadas a pedofilia. É preciso também que estejamos atentos ao modo como, ao longo dos anos, a interpretação da lei feita pelos juízes vai sendo feita e se vai mudando a frequência de acusações sem fundamento. É natural que, numa longuíssima primeira fase, ainda que em teoria todos os cidadãos sejam inocentes até prova em contrário, os homens sejam os suspeitos do costume, com toda a interferência na objectividade que esta evidência estatística acarreta, porque eles são efectivamente são os suspeitos do costume. Entretanto, o que pode um homem fazer? Não bater. Não bater nunca. Não bater na mulher, como não se bate num bebé, isto é, reconhecer e interiorizar a assimetria de género que existe nesta matéria, que tem bases biolóicas e sociais, por muito que a sociedade nos diga que as mulheres e os homens são iguais. Não são. A mulher pode dar uma chapada. Ao homem resta oferecer a outra face ou abortar a discussão e fugir. Poderá não o fazer com uma ética de convicção, mas é a ética de responsabilidade que, contra a opinião de marialvas, progressistas e líricos, se recomenda aqui de Ourique. 

2 comentários

  • Imagem de perfil

    Eremita

    17.05.17

    É verdade. Mas equiparar alguém que apertou um braço no calor de uma discussão a quem espanca por rotina também seria inaceitável. Em todo o caso, o seu comentário reforça a mensagem.
  • Comentar:

    CorretorEmoji

    Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

    Pesquisar

    Comentários recentes

    • Anónimo

      Os tiros na IL e no escroque do Chega são balas pe...

    • caramelo

      Tu gostaste do texto do João Júlio Cerqueira? Tu é...

    • Anónimo

      ... "assassínio da INcompetência", entendo-te, mas...

    • Eremita

      Escrevi "assassínio da competência" fazendo o para...

    • Anónimo

      «Mas o que é esta diatribe de RAP senão um assassí...

    Links

    WEEKLY DIGESTS

    BLOGS

    REVISTAS LITERÁRIAS [port]

    REVISTAS LITERÁRIAS [estrangeiras]

    GUITARRA

    CULTURA

    SERVIÇOS OURIQ

    SÉRIES 2019-

    IMPRENSA ALENTEJANA

    JUDIARIA

    Arquivo

      1. 2019
      2. J
      3. F
      4. M
      5. A
      6. M
      7. J
      8. J
      9. A
      10. S
      11. O
      12. N
      13. D
      1. 2018
      2. J
      3. F
      4. M
      5. A
      6. M
      7. J
      8. J
      9. A
      10. S
      11. O
      12. N
      13. D
      1. 2017
      2. J
      3. F
      4. M
      5. A
      6. M
      7. J
      8. J
      9. A
      10. S
      11. O
      12. N
      13. D
      1. 2016
      2. J
      3. F
      4. M
      5. A
      6. M
      7. J
      8. J
      9. A
      10. S
      11. O
      12. N
      13. D
      1. 2015
      2. J
      3. F
      4. M
      5. A
      6. M
      7. J
      8. J
      9. A
      10. S
      11. O
      12. N
      13. D
      1. 2014
      2. J
      3. F
      4. M
      5. A
      6. M
      7. J
      8. J
      9. A
      10. S
      11. O
      12. N
      13. D
      1. 2013
      2. J
      3. F
      4. M
      5. A
      6. M
      7. J
      8. J
      9. A
      10. S
      11. O
      12. N
      13. D
      1. 2012
      2. J
      3. F
      4. M
      5. A
      6. M
      7. J
      8. J
      9. A
      10. S
      11. O
      12. N
      13. D
      1. 2011
      2. J
      3. F
      4. M
      5. A
      6. M
      7. J
      8. J
      9. A
      10. S
      11. O
      12. N
      13. D
      1. 2010
      2. J
      3. F
      4. M
      5. A
      6. M
      7. J
      8. J
      9. A
      10. S
      11. O
      12. N
      13. D
      1. 2009
      2. J
      3. F
      4. M
      5. A
      6. M
      7. J
      8. J
      9. A
      10. S
      11. O
      12. N
      13. D
      1. 2008
      2. J
      3. F
      4. M
      5. A
      6. M
      7. J
      8. J
      9. A
      10. S
      11. O
      12. N
      13. D