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OURIQ

Um diário trasladado

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Um diário trasladado

22
Fev20

Vasco Pulido Valente (1941-2020)


Eremita

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fonte

Gosto que se diga que foi o melhor prosador da sua geração e sinto a ansiedade que sempre surge quando morre um escritor que admirávamos: se não pego no Glória nos próximos dias, creio que morrerei sem ter lido esse livro. 

Adenda 1: recomendo este completíssimo texto sobre VPV que foi publicado no Malomil em 2014 e dois textos de Diogo Ramada Curto, um de Junho de 2016 e outro de Fevereiro de 2018.

Adenda 2: artigos de VPV n'O Tempo e o Modo

 

2 comentários

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    Eremita

    23.02.20

    Começo pelo fim: creio que Diogo Ramada Curto (https://www.publico.pt/2016/06/22/culturaipsilon/critica/pessimismo-indigena-1735946), com a autoridade que eu não possuo, fez a comparação definitiva, concluindo que VPV se destaca mais como cronista do que historiador. Não ouvi agora exageros quanto à dimensão de VPV como historiador.

    As reacções mais exageradas que houve foram de amigos de VPV, que insistiram na liberdade de VPV (incontestável, creio), na qualidade da prosa (tem fãs em todos os quadrantes políticos) e na inteligência (evidente para quem não o conhecia apenas das participações televisivas). Sendo amigos, o que querias que tivessem dito? Houve ainda dois efeitos amplificadores: 1) VPV ganhou reputação na imprensa e a malta da imprensa mais depressa dá eco à morte de um dos seus do que à de um engenheiro ou músico de igual dimensão relativa; 2) libertou-se tensão extra por se pensar nos círculos intelectuais da direita que a imprensa e a cultura são dominadas pela esquerda. Mas creio poder defender-se que, nos últimos 50 anos, tendo em conta a regularidade, os jornais por onde andou, alguns textos marcantes e o facto de ter sido, com MEC, o único cronista a deixar discípulos, que foi o cronista mais importante do país. Para quem apenas começou a prestar-lhe atenção numa altura em que já era o João Miguel Tavares o cronista mais influente do país, esta conclusão pode chocar, porque nos últimos anos a presença de VPV na imprensa começou a ser irregular e a qualidade dos textos baixou (por exemplo, o diário que escreveu para o Público era banalíssimo). Porém, no momento da morte avaliamos uma vida, não os últimos 10 anos.
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