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OURIQ

Um diário trasladado

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13
Dez17

Um ressabiado social


Eremita

Imaginem... que isto [abuso sexual de um tio a uma sobrinha menor] era entre um velho político machista e uma jovem jornalista de causas. Imaginem ter sido dado como provado o remexer na pita por diversas vezes. Imaginem a pena suspensa e o viver comum.

Pois, mas como foi com mais uma miúda, nada a fazer. A pedofilia é muito bem compreendida em muito  activismo feminista: como dizia um imbecil no twitter, esses miúdos andam a pedi-las. Filipe Nunes Vicente

 

Inventar contradições em medidas ou movimentos sociais globalmente positivos é uma das mais deploráveis formas reaccionárias de argumentar, o que não é um feito menor, dada a concorrência. Que seja usada por Helena Matos ad nauseam, chega a divertir, mas quando vejo pessoas inteligentes e sensíveis como o psicólogo Filipe Nunes Vicente a recorrer à mesma retórica, fico deprimido. Sem excluir a hipótese de o psicólogo pretender, justamente, deprimir os seus leitores para obter mais uns clientes, o que levará alguém a reflectir num pacato blog como um spin doctor que, por dever de ofício, é obrigado a transformar a realidade? Ainda é cedo para avaliar as consequências do movimento #MeToo e podemos até apontar já alguns exageros (uma feminista radical qualquer que não se importa que haja homens falsamente acusados, por exemplo), mas até ao momento o saldo é muito positivo. Evidentemente, este movimento só ganhou força por envolver pessoas famosas. E é verdade que abusos sexuais muito mais graves do que aqueles relatados pelo movimento #MeToo não têm o mesmo mediatismo, mas que responsabilidade directa deve ser imputada à "jovem jornalista de causas" por ser assim que as sociedades funcionam? De resto, sugerir, a partir de uma diferença de mediatismo que se sabe ser muito circunstancial, que a sociedade penaliza mais escândalos sexuais entre adultos famosos do que crimes de pedofilia entre anónimos, é uma distorção grosseira da realidade; a pedofilia é hoje muito mais penalizada do que há umas décadas, qualquer que seja o estatuto social dos vítimas e dos pedófilos -  o caso Casa Pia deve ser visto já como uma consequência e não uma causa desta mudança. Enfim, não vejo grande razão para criticar o movimento #MeToo, nomeadamente porque a penalização social dos predadores sexuais pode vir a ter um efeito dissuasor importante em todas as classes sociais, o que esvazia a tese de que estamos todos a perder tempo com caprichos de elitistas, nomeadamente feministas bem instaladas na vida. Também me escapa a motivação para fazer contrastes absurdos com o intuito de minar uma evolução social positiva. Mas seja por que motivo for, esforcem-se mais e façam o serviço bem feito. 

 

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