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OURIQ

Um diário trasladado

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01
Abr19

AMAZONAS


Vasco M. Barreto

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AMAZONAS (do Lat. amazon < Gr. amázon: a, sem + mazós, seio) 1. Lendárias mulheres guerreiras que mutilavam o seio direito para melhor manejar o arco, facto que torna enigmático o destino que davam às canhotas. Viviam num reino só de mulherese e não há relatos de partenogénese, o que terá levantado problemas de renovação intergeracional e posto em causa a sustentabilidade da segurança social. Consta que as Amazonas acasalavam com homens de outras tribos e depois guardavam apenas as meninas. O esquema talvez lhes trouxesse as vantagens do vigor híbrido, mas só se cada tribo ficasse de pousio durante pelo menos uma geração, caso contrário a mana Amazonas podia, sem querer, acasalar com o mano dela apartado à nascença (vide endogamia e Habsburgos ). A lenda das Amazonas é particularmente apreciada entre feministas e lésbicas, servindo de inspiração a uma iconografia  quasi-erótica onde é patente que as guerreiras entretanto terão desenvolvido uma técnica de tiro com arco menos invasiva do que a original (ver foto) 2. Megalomania fálica Após o abandono do projecto da "Transamazónica", uma longa faixa de alcatrão penetrando a densa e frondosa floresta, só uma benévola explicação psicanalítica salva agora os seus responsáveis (ver também coitus interruptus) 3. Amazonas (rio): O mais caudaloso rio do mundo foi assim baptizado por Francisco Orelhana, porque ao descê-lo, em 1541, encontrou uma tribo de mulheres guerreiras cujos seios, na azáfama da batalha, não chegou a ter tempo de contar. Sendo duro de ouvido, Orelhana (ver hereditariedade) julgou que os indígenas logo adoptaram o seu nome, quando na verdade o nome Tupi do rio é "amassunu", para "ruído das águas". Por seu turno, os índios cedo se deram conta da tremenda falta de jeito que os espanhóis revelam para línguas, pelo que lhes pareceu que ao dizer ~ Orelhana estava a adoptar a toponímia local. Esta história prova que o multiculturalismo funciona sobretudo quando dois equívocos se complementam. O problema actual do multiculturalismo é que o número de equívocos aumentou e tende a ser ímpar.

 

 

Esta entrada marca o regresso de um dicionário satírico que escrevi a meias com um amigo (Paulo Vieira) entre 2004 e 2006 num blog entretanto desaparecido que se chamava Conta Natura. Agora continuo essa empreitada aqui e a solo. A este ritmo, prevejo acabar a letra A em 2033. Dentro de cada letra a ordem de publicação não será alfabética, mas não posso chegar ao B antes de esgotar o A. As palavras sublinhadas indicam futuros links para entradas do dicionário. Deposito grandes esperanças neste trabalho, ao ponto de fazer minhas as palavras de Burt Reynolds em Boggie Nigths (a cena dura 23 segundos).

Permitam-me ainda um desabafo. Reunimos em plenário no sábado. Contra a opinião de todos, o Eremita decidiu avançar com a ideia estapafúrdia dos links com publicidade. Não contente com a prepotência, obrigou-nos ainda a adoptar essa sua nova prática. Por pouco não abandonei o blog. Se acabei por ficar é por ter com o Eremita uma dívida de gratidão, pois ele lutou pela minha minha entrada no Ouriquense... perdão , no "Ouriq" - en passant, foi graças a mim que o blog não passou a chamar-se "Ourik". Em resumo, fico e respeito a decisão do chefe. Mas já que é assim, espero que o chefe ao menos aprenda com os meus exemplos. Os links devem prometer uma recompensa. Aposto que com 10 links gerarei mais cêntimos do que o Eremita com 100. Eis um caso de servidão voluntária com um twist de arrogância.

 

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