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OURIQ

Um diário trasladado

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14
Dez19

Everything we've always Known About Sex* (*but we're now afraid to say)


Eremita

Quem hoje escreve da forma mais livre e heterodoxa sobre sexo neste país é o António Guerreiro. Haverá por aí libertinos sob pseudónimo e outros que, ao abrigo do registo confessional, dizem coisas, mas o António pensa sobre estes temas como mais ninguém. Em tempos de puritanismo crescente, é preciso coragem para lembrar a inevitabilidade da violência, da mentira e das relações de poder no sexo, e defender uma esfera de transgressão sadia — por oposição à acidental transgressão sádica que Guerreiro menciona na passagem que cito. Nem sempre concordo com ele, sobretudo quando a sua opinião deixa transparecer um certo saudosismo pelo tempo em que as orientações sexuais minoritárias viviam na clandestinidade, mas é sempre com prazer que o leio sobre estes temas.

A mais comum forma de violência sexual no espaço conjugal é a sua forma negativa, isto é, a total ausência de sexo e os interditos discursivos que essa situação cria, para que não se quebre uma união fundada na inércia, outras vezes em razões pragmáticas, e mais raramente noutros afectos respeitáveis que a família cristã exalta porque tem uma sabedoria antiga que lhe diz que ou as coisas tendem para essa pretensa neutralidade (raramente feliz) ou então o desfecho é o divórcio e a delapidação de patrimónios (às vezes, até do património parental). Se estes inquéritos, determinados por um neo-puritanismo, acabam por assimilar boa parte das atitudes e rituais sexuais a formas de violência, mais não seja porque deixam aos inquiridos a liberdade de estabelecerem como violência o que sentem como tal, então eles acabam, sem o saber, por entrar na lógica da transgressão, do gozo que advém de quebrar as normas; ou então mostram uma embaraçosa cumplicidade com o pensamento de Sade (Sade, mon prochain, que título revelador!) e a sua maneira de enunciar, classificar, racionalizar e articular através de um discurso as práticas sexuais. É o triunfo do plaisir de tête. E assim o neo-puritanismo do nosso tempo revela-se muito mais apto a alimentar as formas mais extremas de violência sexual do que a permissividade promovida pelos discursos e as práticas da revolução sexual. António Guerreiro, Público

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