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Ouriquense

25
Abr18

Sôbolo Guadiana que Vem

Fausto Gomes

Fausto.jpg

Conterrâneos de Ourique, irmãos de Ourique na diáspora, amigos de Ourique,*

 

A anunciada chegada da água do Alqueva em 2021 à nossa ressequida barragem do Monte da Rocha fez correr nas nossas veias a turbulência da esperança. Nos mentideiros da vila já se sussurram grandes negociatas à custa da especulação, sem respeito pela nossa identidade, que é a da cultura do sequeiro. Desenganem-se! Não será Fausto Gomes a comprometer o futuro da vila. Conservador, talvez; ludista e velho do Restelo, nunca! Apenas me bato por uma visão de futuro que honre a tradição. A Câmara Municipal de Ourique já se mostrou contente com as notícias, como um desgraçado que sorri quando um vigarista lhe ilumina o rosto com o reflexo de ouro que depressa volta a tapar. Companheiros, a única postura que defende Ourique é a da desconfiança. Quantos anúncios sobre infra-estruturas se revelam, afinal, ejaculações precoces que não chegaram a ventre fecundo? Desconfiemos, Ouriquenses, desconfiemos. Mas cobremos já aos que nos deixaram a sonhar esclarecimentos sobre o que está em curso. Espanha quer a nossa água, lembrando que actualmente não a gastamos. Vamos ceder? Ou será que, como devia ser, os planos para 2021 são já parte do argumentário luso? Se não há nada mais difícil do que reverter benesses entretanto acordadas, quem garante que os nossos interesses estão já a ser acautelados? Será que ganharemos um aqueduto de onde a água chegará, sim, mas gota a gota? Se não for agora que se ouve Ourique, será quando? Marquemos a agenda política. Ou estaremos satisfeitos com a ocasional reportagem sobre Ourique enquanto "capital do porco preto"? Francamente, desprezo quem se resigna com este epíteto inventado por algum publicitário de Lisboa, pois Ourique deveria projectar-se enquanto geografia de importância única na nossa História e no nosso imaginário! Vamos mesmo trocar a glória de herdeiros e guardiões de um momento fundador por mais uns patacos no preço do quilo de presunto e nos enchidos? Que a promessa da chegada de água nos acorde para a luta. É pela água que ainda se mata e morre no interior, companheiros. Honremos também essa tradição.. enfim, esses mortos e, para que não haja dúvidas, enterremos a foice e o martelo, erguendo de novo as enxadas! Disse. 

* Nota do eremita: Fausto Gomes é um colaborador do Ouriquense com carta branca. Tende a escrever sobre política local. A acreditar num retrato-robô de mérito duvidoso, o homem que mais de 2000 pessoas terão visto exclusivamente em sonhos e alguns interpretam com um arquétipo junguiano parece ser um sósia de Fausto, uma coincidência que, segundo ele, vai "alavancar" a sua carreira política. Escreve contra Lisboa, mas essencialmente por oportunismo, pois suspeito que sonha ser deputado. Traumatizado pela reforma agrária, revela uma aversão primária ao comunismo e defende uma "terceira via" para o interior, que tem dificuldade em explicar, embora pareça ser uma versão hiperbólica de  um plano de Hernâni Lopes que ficou conhecido pelo nome "Grande Ogiva do Sul", cuja ressonância messiânica encanta Fausto. Deixa-se empolgar pela sua própria retórica e diz que só os hipócritas corrigem as ideias que surgem no primeiro rascunho. Chega a ser mais exclamativo do que António Barreto e tem tiques de tribuno, mesmo na escrita que não se destina a ser lida em voz alta. 

 

 

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