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Ouriquense

27
Ago18

O efeito Serguei Bubka

Eremita

 

 

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Numa época em que o açúcar assume o estatuto de veneno, premiar uma ida ao penico com um smarties incendiaria as redes sociais, fosse eu famoso. Mas a minha principal preocupação é se as miúdas, percebendo a falha no sistema, começam a fazer chichi literalmente às mijinhas, estratégia seguida nos meetings internacionais  - mas metaforicamente, não haja escândalo - pelo grande saltador com vara Serguei Bubka, que assim, de cada vez, ia juntando apenas um centímetro mais ao seu recorde mundial para sacar o devido prémio, quando era sabido que à porta fechada já saltava bem mais alto. 

21
Jul18

Sobre a catequese laica

Eremita

Por outras palavras, eu não posso ensinar a bondade às minhas filhas, mas posso ensiná-las a terem a guarda levantada em relação aos seus próprios pecados. Elas têm e continuarão a ter os seus grandes momentos de bondade, mas esses momentos nascem e nascerão da sua centelha, não da minha educação. Portanto, quando elas demonstram generosidade, devo ficar feliz por elas e agradecer a Deus. O meu orgulho deve ficar no saco. Este orgulho paternal só pode sair do saco quando elas entram num momento de contrição para pedir desculpa por um erro que cometeram - orgulho na educação cristã que lhes tento dar todos os dias com a ajuda de Deus. Henrique Raposo

Não vale a pena dar o desconto por ser literalmente prosa da Rádio Renascença, pois há muitos anos que Henrique Raposo exibe o seu catolicismo com orgulho. Também não tentarei desmontar a argumentação, que está assente em premissas questionáveis e nos remeteria para a incontornável disputa entre crentes e ateus quanto à origem da moral, que a Primatologia e a Psicologia Experimental deveriam informar. Eis o verdadeiro dilema: se o ateu reconhece eficácia à religião enquanto veículo de transmissão de regras de conduta e, em simultâneo, também desconfia do espectro das alternativas laicas, que vão do eco-vegetarianismo freako-kibutziano ao egoísmo objectivista ayn-randista, com uma larga faixa central em que impera uma difusa transmissão de bons sentimentos e decência através de exemplos sensaborões, sem partilha de um referencial comum legitimado pela tradição, passará a solução por ler a Bíblia às filhas? Reformulando: além do evidente bónus de cultura, já que o desconhecimento dos episódios bíblicos é uma marca de ignorância não erradicável pela estatisticamente garantida exposição na Páscoa ao épico Ben-Hur, haverá algum mérito numa catequese expurgada de fé e aditivada com espírito crítico? Não seria para já, pois ainda são muito pequenas, mas para quê ler-lhes as Ducla Soares da vida e deixá-las à mercê das editoras de livros infanto-juvenis se temos Mateus, Lucas, Marcos, João e até Paulo? 

09
Jul18

Como e quando explicar o "efeito de Mateus" às criancinhas?

Eremita

A propósito deste artigo, que o Vasco me indicou, fiquei a pensar em qual seria a melhor altura e a forma adequada de explicar o "efeito de Mateus" às crianças.  "Ao que tem dar-se-á e terá em abundância. Mas ao que não tem até o que tem lhe será tirado". Há várias formulações equivalentes: a distribuição ou princípio de Pareto (para os mais elitistas), a regra 80-20 (para as pessoas mesmo muito aborrecidas), a canção "The winner takes it all", dos ABBA (para os mais descontraídos). Pergunto: haverá algum primata por socializar que aceite o efeito de Mateus? Duvido.

Já conhecia as experiências de um primatologista holandês com macacos, a propósito de como surge e se manifesta a sensação de ter direito às bananas que o vizinho recebeu, e também a teoria do desejo mimético, de René Girard, ciência experimental e teorização que o meu posterior convívio diário com gémeas monozigóticas ("verdadeiras")  me levaria a considerar como triviais, pois é evidente que os bebés e até as crianças possuem um sentido de injustiça apuradíssimo e uma capacidade de reivindicação que depois se perde ou atenua, preservando-se apenas nos adultos num contexto de deformação profissional (entre advogados, sindicalistas e políticos, por exemplo) ou então em quem sempre esteve muito acima da média quanto a estas características de personalidade, como aquelas pessoas que passam uma vida a mandar a comida para trás em restaurantes - um acto que nunca pratiquei e me fascina, devo confessar. A pergunta é: em que altura nos vergamos ao efeito de Mateus, que passamos a aceitar como inevitável e inquestionável, sob pena de blasfémia contra o sacrossanto princípio da meritocracia quando resolvemos pôr em causa a ordem das coisas? Não pretendo entrar em considerações classistas a apontar para teses de conspiração ou até nietzscheanas, isto é, sobre a indução e domesticação do ressentimento e a influência destes processos na estrutura das sociedades. A dúvida é mais pueril e de ordem prática: será que explicar o efeito de Mateus imuniza as crianças contra os efeitos da perversa máquina de socialização, dando-lhes uma resiliência acrescida ou um distanciamento que lhes protegerá o âmago ao longo da vida quando as comparamos com as crianças que não são nunca tiradas da bolha em que o mundo é cor-de-rosa e a meritocracia pura? Ou será contraproducente, por antecipar nas crianças o aparecimento do cinismo conformista que geralmente só surge no adultos de meia idade? A TSF, na sua rubrica sobre pais e filhos, podia entremear temas deste calibre com os conselhos sobre protectores solares. É que eu penso muito nestes assuntos e até já de modo pavloviano sempre que como uma banana, fruto muito apreciado no nosso lar. 

 

06
Jun18

Sobre uma barata

Eremita

Acumulo cinco funções domésticas em regime quase exclusivo: preparar um pequeno-almoço frugalíssimo para quem madruga, lavar a loiça, levar o lixo até um contentor ou ao ecoponto da vila, espezinhar baratas e velar pelo sono das mais novas das nossas meninas. Trata-se de um conjunto de competências herdeiro da tradição, pois espezinho baratas movido por uma responsabilidade de macho protector que me força a vencer uma repulsa natural pelo insecto rastejante, mas que incorpora já a segunda vaga do feminismo, ainda que a minha recusa em calçar as habituais luvas da loiça cor-de-rosa possa ser entendida como um comportamento atávico ou de quem "tenta ser tão progressista quanto pode, mas desde que não precise de se esforçar muito" (Lou Reed).

 

A minha competência como exterminador de baratas tem sido posta em causa de um modo recorrente ao longo de vários anos. É uma campanha vil, caluniosa, persistente, implacável, ingrata. Acusam-me de não ser suficientemente rápido a responder aos apelos e de nada me serve frisar que só aceito a tarefa se estiver calçado. Ora, se ainda admito que certas situações, como estar despido num quarto com um gato em movimento, causem grande desconforto apenas ou sobretudo aos homens, esmagar uma barata com a planta do pé desnuda, para sentir na pele a quitina crocante e logo depois o frio da hemolinfa do insecto, é algo que causa uma repulsa universal e que não se exige a ninguém, excepto em casos de vida ou morte. Ontem, após ter falhado um gesto de dificuldade considerável, as críticas subiram de tom e revestiram-se de um inusitado grau de detalhe técnico. Caro leitor, acusaram-me de não ter calculado a trajectória do meu pé tendo em consideração o movimento de fuga do insecto. Só me resta recorrer ao Ouriquense para repor a verdade. 

 

A barata apareceu depois do jantar. Para calar as más línguas, adianto que bebi água à refeição. E friso a dificuldade do gesto: não só o axadrezado do chão da cozinha se presta a ilusões de óptica que perturbam a mira, como a barata se encontrava algo dissimulada num dos ladrilhos pretos, muito perto do rodapé e com 180 graus de possíveis trajectórias de fuga. É completamente falso que tenha atacado o insecto sem ter calculado o seu mais previsível movimento de fuga dianteiro na direcção de uma abertura entre os móveis, isto é, que tivesse apontado o pé para a posição da barata e não para a posição em que a barata se encontraria quando o meu pé estivesse prestes a assentar no chão. Falso. Não só calculei, como registei no cérebro aquele momento, pensando: "eu estou a computar a trajectória previsível do meu alvo, diante desta indefesa barata a minha superioridade cognitiva será esmagadora". Não era simples bazófia interior, era mais uma espécie de presciência de quem sabia que podia ser chamado a dar explicações e precisaria de uma memória viva, inquestionável, hiperconsciente, capaz de resistir à erosão provocada pela poderosa máquina judaico-cristã de culpabilização cujas engrenagens se põem a mexer sempre que há alguma suspeita genérica e tensão no ar, levando-me inúmeras vezes a gritar, inclusive em repartições públicas: "I'm Spartacus!" Comecei por ver a barata, mas a imagem logo passou a ser a de um cyborg com rudimentos de física newtoniana e visão assistida por software de processamento de imagem que junta vectores aos objectos e mostra contadores em tempo real na parte mais periférica do campo visual. Como nos filmes, portanto. A verdade é que falhei, mesmo pensando inicialmente que a tinha esmagado. A barata escapou-se seguindo a trajectória previsível, pelo que o meu erro não foi de planeamento, mas de execução - no fundo, a história da minha vida, que fez com que viesse parar a Ourique e não à Ivy League da academia norte-americana. Mas como explicar isto tudo sem perder a cabeça? Como alimentar uma discussão conjugal sobre a arte de matar baratas, quando a sociedade só nos preparou para discussões sobre a posição da tampa da sanita? Irritei-me, claro. À evidência de decrepitude física quiseram juntar uma estupidez que renego e foram injustos, mas a consciência de estar a discutir como se espezinha uma barata funcionava contra mim: "... se eu morrer neste preciso momento de exaltação, como serei recordado?" 

 

Adília Lopes imortalizou as baratas no seu famoso poema "Os meus gatos / gostam de brincar / com as minhas baratas", que já foi alvo de interpretações profundíssimas. Em entrevistas, aprendemos que as baratas da Adília lhe aparecem na cozinha, exactamente como a barata de ontem. Na nossa casa, felizmente, não entram gatos, mas por causa das minhas baratas andam a brincar com os meus sentimentos há muitos anos. 

23
Abr18

A primeira adversativa do resto da tua vida

Eremita

A carreira extraordinária de Cristiano Ronaldo, conjugada com a informatização dos dados e uma pressão constante para produzir "conteúdo" informativo, deu origem a uma febre de recordes sem precedentes. É raro o mês em que Ronaldo não bata um recorde e o povo vibra com os feitos do seu herói, mas sabemos que somos cúmplices de uma fraude colectiva. Aos abundantes títulos atribuídos pelas instituições reconhecidas,  que são mérito inegável de Ronaldo, juntam-se recordes anunciados no Twitter que são sobretudo mérito de quem deles se lembrou. A doutrina divide-se entre os que dizem que estes recordes são descobertas, estando já nas tabelas estatísticas como um fóssil por descobrir existe debaixo da terra, e aqueles que os entendem como invenções, não no sentido pejorativo de "coisas inexistentes" mas de criações que nascem no momento em que são verbalizadas. Pouco importa, porque o que diverte e impressiona é mesmo o absurdo em crescendo a que vamos assistindo. Um dia alguém anunciará que Ronaldo acaba de bater o recorde de golos de cabeça marcados a guarda-redes de olhos verdes, de hat-tricks ao terceiro domingo de cada mês, do número de nacionalidades/ confissões religiosas / orientações sexuais / identidades de género reveladas a posteriori envolvidas na construção de uma jogada que o recordista rematou em golo, da mais longa série de golos alternadamente marcados com os pés esquerdo e direito... Os limites são a imaginação e o sentido do ridículo, mas quem sou eu para criticar estes génios do recorde, se há mais de dois anos não faço oura coisa senão inventar ou descobrir efemérides que vão marcando o crescimento das minhas meninas?

 

Há muitos anos, lembrei-me de uma efeméride pessoal que ainda hoje me parece aceitável: o momento em que atingimos a idade que um dos nossos pais tinha na memória mais antiga que dele guardamos. Pensado é mais simples do que lido e creio que o efeito ultrapassa o da mera coincidência de idades, pois a data pode simbolizar o momento em que se toma consciência de que o progenitor sempre foi, antes de mais, um indivíduo como nós, e que, na verdade, encandeados pela imagem avassaladora do pai ou da mãe, conhecemos mal. Mas inventar boas efemérides segundo a perspectiva do filho é trivial, porque, não havendo qualquer pressão, o ócio pode operar a sua mágica criativa. O problema só surge quando se troca de papel, pois a parentalidade cria uma pressão permanente para criarmos "conteúdos" simbólicos. Nos primeiros tempos, testemunhar qualquer coisa feita pela primeira vez por um bebé, dos momentos mais cómicos, como o primeiro manguito não intencional ou uma bufa sonora e prolongada, aos mais emocionantes, como a primeira melodia, as imitações óbvias do nosso comportamento, um gesto de ternura, a interacção com um animal ou um acto de resistência revelador de uma personalidade, é logo pretexto para uma efeméride que urge documentar e comunicar. Esta pulsão não vem sequer com o valor redentor da originalidade, que os génios dos recordes de Ronado podem reclamar, pois fazemos o que os nossos pais e avós fizeram, só que de forma mais exagerada, porque está em voga a parentalidade intensiva e a tecnologia é mais potente. Por isso, a série Tribo vale mais pelos rascunhos que não publico e acabo por apagar do que pelos textos que escapam à minha censura. Este pudor tem crescido e ainda bem, sobretudo desde que as miúdas começaram a falar, mas a pressão não deixa de aumentar e só regras claras e um compromisso público me permitirão resistir a divulgar aqui todas as conquistas de vocabulário, gramaticais e de retórica emergente com que as gémeas nos vão alegrando os dias. Estabeleça-se então um número: não mais de três referências por ano. Pois bem, gasto já uma: não tive a sorte de a ouvir, mas contou-me a L. que a M., na semana passada, disse o primeiro "mas" enquanto conjunção adversativa. Apesar de o primeiro "não" marcar o nascimento de uma personalidade, não deixa de ser coisa para gozar com sensibilidade de consumidor de blockbuster, como o comprova a cena de um dos filmes da saga Planetas dos Macacos, em que um  "Nooooo!" gritado assinala a antropomorfização completa do símio revolucionário; já a subtileza do primeiro "mas" pede uma sensibilidade de fã de "cinema de autor", e, enquanto operação cognitiva, contrapor é bem mais sofisticado do que negar.

 

Que uses a adversativa com parcimónia, propriedade e coragem, minha filha, sem que caias em prostração. Que um dia percebas como é difícil, ainda que por vezes imprescindível, encadear duas adversativas, porém sem comprometer a estética, a clareza e a ética, mas que por enquanto gozes o teu primeiro e singular "mas".

 

 

17
Abr18

O misticismo

Eremita

O misticismo é fundamental, mas apenas depois de o sistema de rega da horta estar de novo a funcionar. Só que este sentido natural das prioridades não resolve o problema. Quando voltar a ter tempo, regressarei ao tema. De momento, registo apenas uma surpresa: como a paternidade acorda tantas questões que tinha por resolvidas, meus Deuses!

 

Seven Types of Atheism is an impressively erudite work, ranging from the Gnostics to Joseph Conrad, St Augustine to Bertrand Russell. In the end, it settles for a brand of atheism that finds enough mystery in the material world itself without needing to supplement it with a higher one. Yet this, too, is just as much a throwback to the Victorian age as Dawkins’s evangelical campaign against religious evangelism. Authors such as George Eliot, reeling from the death of God, took solace in the unfathomable intricacies of the universe. Gray condemns secular humanism as the continuation of religion by other means, but his own faith in some vague, inexplicable enigma beyond the material is open to exactly the same. Terry Eagleton sobre o último livro de John Gray, The Guardian

 

"Deus é um problema para todos, não é só uma questão para os não-crentes, Deus também é uma questão para os crentes. Deus é uma questão que nos une, não é uma questão que nos separa: Deus está em todos, crentes e não-crentes". Tolentino Mendonça, Público

15
Fev18

Ostras no deserto

Eremita

Hoje, ao acordar, a M. rejeitou o biberão com leite. Protestou bastante e demorei algum tempo a perceber que queria um biberão com rosca verde e não amarela. A cada dia que passa, há uma nova exigência. Tenho confirmado a noção de que os bebés e as crianças gostam - e precisam - de rotinas, mas essa necessidade existe em paralelo com um comportamento caprichoso, imprevisível e errático, que só têm paralelo nas exigências extravantes das super-estrelas do rock.  

21
Nov17

Do snobismo invertido

Eremita

Eu sou um produto, para o bem e para o mal, da escola e da universidade públicas. Nunca andei em instituições privadas. Três dos meus quatro filhos frequentam a escola pública, e a mais nova só não frequenta porque ainda tem cinco anos. Há razões financeiras para esta escolha, pois os filhos são muitos, mas há sobretudo razões de princípio: acredito na importância do ensino público; frequentei-o numa época em que era menos exigente do que hoje e não me dei mal; prefiro que os meus filhos cresçam longe das bolhas elitistas (sem desprimor) que são os melhores colégios privados; acho até que certas limitações próprias da escola pública têm vantagens em termos de autonomia e de resiliência (se os pais desempenharem bem o seu papel); e prefiro investir o dinheiro que poupo na mensalidade dos colégios em actividades extracurriculares, ou a viajar com os miúdos para fora do país nas férias do Verão ou da Páscoa, para ganharem mundo.

Este primeiro parágrafo serve dois objectivos: demonstrar que sei do que falo quando falo da escola pública, e tentar afastar o preconceito de que quando critico Mário Nogueira, os sindicatos ou certos privilégios da classe estou a atacar cada professor em particular. João Miguel Tavares, Público.

 

Existe ainda um objectivo tácito, ó João: queres mostrar que tens autoridade moral para escrever sobre a escola pública. Não surpreende. Segundo muitos, provavelmente a maioria, quem não tem os filhos numa escola pública perde o direito de escrever sobre o ensino público, tal como quem só frequenta hospitais e clínicas privados não se deve pronunciar sobre o SNS. Esta opinião, absurda se pensarmos na lógica que rege a redistribuição da riqueza através dos impostos numa sociedade coesa, em que um cidadão se deve interessar pela construção de uma ponte que provavelmente nunca usará, resulta de uma pressão social exercida pela esquerda e pela direita, que quando se juntam criam a correcção política mais subtil e eficaz. Quando veiculada pela direita, esta opinião é um ataque ad hominem primário para enfraquecer os políticos de esquerda que têm os filhos nos colégios e defendem a escola pública. Quando veiculada pela esquerda, a ideia parece ganhar substância: é importante a classe média ter os filhos na escola pública, caso contário o ensino público entrará em decadência, dizem eles. Daí a necessidade de se gritar ao mundo que os filhos não frequentam "bolhas elitistas" e o pudor das "elites" nas discussões públicas e colunas de jornal quanto ao tipo de escola onde estudam os filhos. Ora, será que quem propagandeia que tem os filhos no ensino público se revela um cidadão exemplar ou simplesmente um inverted snob? No que me toca, a ideia do risco de decadência devido ao abandono do ensino público pela classe média soa-me demagoga - há estudos? - e hipócrita - havendo escolas públicas e escolas públicas, diz-me em que bairro moras e dir-te-ei se defendes esta ideia, camarada. Em todo o caso, primeiro a família e depois a sociedade é uma "razão de princípio". Será então que posso defender a escola pública e desejar que os meus impostos sejam usados para a melhorar, mas estar disposto a fazer tudo o que estiver ao meu alcance, inclusive escrever um romance histórico, para que as minhas filhas frequentem uma "bolha elitista"?  

 

05
Nov17

Regressão

Eremita

Dizem os especialistas que os pais não devem adormecer junto dos filhos pequenos, porque é importante que as crianças vão ganhando autonomia. É chocante que os especialistas não se preocupem também com a perda de autonomia dos pais, pois começo a viciar-me no gesto de meter cada um dos braços por entre as grades das duas caminhas para dar as mãos às minhas bebés e assim adormecermos juntos. 

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