Sportinguista q.b.
Eremita

Dedicado ao meu irmão
A tortura permite avaliar com inigualável rigor aquilo que realmente importa. Ontem, resisti até ao segundo golo do Benfica, mudando a seguir de canal para me alienar diante de uma espécie de Jogos Sem Fronteiras à americana chamado American Ninja Warriors. Assim se prova que o meu sportinguismo não vale um chavo. Em minha defesa, apenas posso prometer que o meu instinto de justiça chegará para me lembrar destas desistências nos momentos de derrota se o Sporting vencer algum título importante, ou seja, nesse hipotético dia espero comemorar apenas com moderação pois a mais não terei direito. Apesar do adepto Benfiquista, essa criatura mimada, sei que o clubismo é um investimento emocional de soma zero ou negativa, e como aprendi a poupar nas desilusões com o Sporting, mesmo duas décadas não chegaram para acumular um saldo que dê para grandes euforias. Mas o que realmente me tira o sono, tal o receio de envergonhar as miúdas e o nome, é a possibilidade de não me comportar com outra tenacidade quando for outra a tortura. É a dúvida que persiste em quem nunca foi posto à prova e já viu documentários: falarias ou não?
