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Um diário trasladado

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16
Mai18

Sócrates, o discreto tio do Luxemburgo e o amigo sul-africano do seu avô


Vasco M. Barreto

Socratologia*

 

NAspirina B, Valupi & friends continuam a defender José Sócrates. Valupi já chegou ao ponto de truncar citações, mas não se trata de enganar os outros, apenas de se enganar a si próprio. Também assim deve ser entendido o seu exercício de separação entre moral, como conjunto de regras para viver em comunidade, e ética, como conjunto de regras para as relações privadas. Com este arsenal teórico, Valupi conclui que aquilo que sabemos sobre os alegados empréstimos de Carlos Santos Silva a Sócrates tem, até a Justiça se pronunciar, apenas uma relevância ética e nenhuma relevância moral, isto é, nenhuma relevância política. Para chegar a esta conclusão. Valupi torce os factos, argumentando a partir de uma suposta condenação pública de Sócrates por aceitar empréstimos de um amigo; para Valupi, esta condenação é hipócrita, pois muita gente, em algum momento de aperto, recorre à ajuda de amigos. Chegou o momento de explicar a Valupi a natureza da condenação pública de Sócrates. 

 

O que realmente se condena, embora nem todos tenham coragem ou a liberdade para o admitir, é o discurso mentiroso de Sócrates e as suas incríveis justificações quanto à origem dos seus rendimentos. Ninguém acredita que aquelas transferências sejam empréstimos. Isto não se pode dizer porque é, afinal, o que será apurado durante o julgamento, mas é de facto o que se pensa, muito por causa das fugas ao segredo de justiça. Pode-se demonstrá-lo facilmente recorrendo a dois cenários hipotéticos. Imaginemos que Carlos Santos Silva não existia e que Sócrates recebia dinheiro de um tio do Luxemburgo, tendo sempre tentado ocultar a origem desse dinheiro por lhe parecer que não ficaria bem a um estadista cinquentão receber uma mesada de um tio. Se a investigação tivesse encontrado na origem do dinheiro este tio do Luxemburgo, sem nenhma ligação a Portugal além de Sócrates, não haveria acusação nem a condenação social iria além de umas piadas e caricaturas. E se, em vez do tio, se viesse a descobrir que o dinheiro vinha de um velho amigo da família Pinto de Sousa que enriquecera na África do Sul e prometera ao pai de Sócrates ajuda incondicional aos seus filhos, também nada de grave aconteceria. A ocultação de Sócrates seria por todos defendida como um direito seu à privacidade e até as suas eventuais mentiras sobre o assunto seriam perdoadas, mesmo não vindo o dinheiro de um familiar de Sócrates. Tudo isto é tão evidente que até dá algum embaraço lembrá-lo, mas é aquilo a que Valupi nos obriga. Os empréstimos não são o problema. O problema é ninguém acreditar que são empréstimos. A classe bem pensante diz que critica Sócrates por aquilo que ele já admitiu, mas a verdade é outra: a classe bem pensante critica Sócrates por não considerar verosímeis as suas explicações. Não deixa de ser um comportamento hipócrita da classe bem pensante, mas não aquela apontada por Valupi. É uma hipocrisia que decorre das convenções sociais.

 

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