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Um diário trasladado

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03
Jan18

SIDA e assédio sexual?


Eremita


Nos anos 1980 e 90, a sida dizimou um terço das figuras mais proeminentes da vida cultural americana. Da literatura à fotografia, passando pelo teatro, cinema, música, bailado, artes plásticas, ciência, universidade, jornalismo, publicidade e moda, a lista de mortos é eloquente. Quase todos homens, mas a morte da modelo Gia Carangi, em Novembro de 1986, provou à opinião pública que as mulheres não eram poupadas.

 

Nos últimos três meses, a vaga de denúncias por assédio sexual ameaça fazer o mesmo, mantendo os acusados vivos, para opróbrio universal. Tudo começou em Outubro, quando o produtor Harvey Weinstein foi acusado de abuso por várias actrizes. A vaga não parou. Entre actores, staff dos estúdios, altos responsáveis por instituições culturais, senadores e funcionários do Congresso, são mais de quinhentos os homens acusados nos Estados Unidos. O mais recente em data é o antigo bailarino Peter Martins, director do New York City Ballet, que se demitiu hoje, na sequência da divulgação de uma carta anónima, datada de 9 de Dezembro, na qual é acusado de ter obtido favores sexuais de duas dezenas de bailarinos da companhia. Como o mítico James Levine, director emérito da Metropolitan Opera, já tinha passado pelo mesmo em 3 de Dezembro, quando um homem de 48 anos, antigo aluno seu, o acusou de ter sido molestado durante durante oito anos consecutivos (1985-93), é caso para dizer que foram decapitadas as direcções das duas principais instituições culturais de Nova Iorque. Eduardo Pitta 


Não sei que critério de proeminência cultural Eduardo Pitta seguiu para concluir que a SIDA dizimou um terço das figuras mais proemientes da vida cultural americana nos anos 80 e 90 do século passado e admito, mas sem fazer a conta, que o autor esteja a pensar apenas no universo dos homossexuais proeminentes. Não consigo é explicar o que leva alguém habitualmente sensato a comparar - e mesmo equiparar - a trágica epidemia de SIDA daquele período com a recente onda de denúncias de casos de assédio sexual. É verdade que o sexo, a coscuvilhice e a ligação à cultura das populações atingidas são elementos comuns, mas não vejo mérito em misturar estes acontecimentos, sobretudo sabendo-se que as célebres vítimas de SIDA de então nada fizeram de condenável, enquanto aqueles que agora tombam praticaram (alegadamente) indecências ou barbaridades. Também não me parece excêntrico lembrar que sair da ribalta por se definhar numa cama a caminho da morte certa é bem mais trágico do que ir uns tempos para uma clínica de reabilitação sexual. Enfim, pode ter sido um erro de paralaxe, pois a actualidade embriaga. Felizmente, não tendo este paralelo sido feito por um homem heterossexual, não haverá onda de indignação, mas a orientação sexual não é uma atenuante para o disparate. 

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