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31
Mar19

MOV5.7: se conduzir, não funde movimentos


Eremita

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[Publicado a 25.3.2019;  actualizado a 31.3.2019]

Pacheco Pereira envelheceu mal: não fosse uma Aula Magna ou esta generosa referência e a sua irrelevância resumir-se-ia à de “figura que em tempos foi conhecida não se sabe bem porquê e que agora vende Fá Fresh em anúncios televisivos”. Vitor Cunha, cofundador do Mov5.7

O Mov5.7 tem pessoas capazes, mas também alberga uns cínicos cuja valia para o movimento é um mistério. O que anda lá a fazer Alberto Gonçalves, por exemplo, um tipo cujo talento é escrever sempre a mesma crónica a bater nos socialistas e nos adeptos da política identitária? E Vitor Cunha, o blasfemo de prosa masturbatória que se deve imaginar como o Chuck Palahniuk da teoria política à portuguesa, que papel cumpre? O Vitor fundou um movimento mas nem sequer consegue dizer o que o movimento é, preferindo o exercício pela negativa. Não se esperando outra coisa de quem se define pela reacção contra a esquerda, da leitura do texto só se aprende que ele está numa ego trip. O Mov5.7 ainda não fez nada, mas este homem anda tão embriagado que  trata o principal (o único?) intelectual público do país com a sobranceria de um alucinado.*

 

ADENDA a 31.3.2019. Já sóbrio, mas provavelmente ainda diminuído pela ressaca, Vitor Cunha explicou-se finalmente. Sabem qual é a grande ideia? Retirar o poder à esquerda passa por "criar corpo cultural". Percebe-se que a aliteração expurgada do artigo indefinido foi pensada não só para soar bem, mas para funcionar como uma linha de código que porá em movimento uma nova geração de iludidos. No Blasfémias, o Cunha escreve de forma atrevida e juvenil. Na imprensa, é um intelectual cheio de gravitas. Portugal encontrou o seu Antonio Gramsci invertido. Em rigor, há sempre um gajo destes na direita a sonhar com uma Spectator portuguesa como se fosse o primeiro, incapaz de aceitar a realidade crua que condenou a revista K a acabar ao fim de 3 anos. Estamos pois perante uma fé inabalável e transmissível. Por mim, bem podem surfar ilusões por convição ou até simplesmente tratar da vidinha e ganhar uns cobres na criação de corpo cultural. Podem até fazer o corpo cheio de curvas sinuosas e apelativas - ou musculado e com pilosidade q.b., pois eu sou um pobre coitado que bebeu nas tetas túrgidas do corpo cultural da esquerda e sinto-me obrigado a usar a linguagem e o pensamento inclusivos. Deixem-me apenas contar-vos a história de uma conversão. Quando trabalhei nos Estados Unidos, conheci uma aluna russa com uma inteligência e capacidade de trabalho invulgares que, por algum motivo, começou a ler Ayn Rand. O Objectivismo subiu-lhe então à cabeça, tornando-a progressivamente mais antissocial e bizarra. Ainda acabou o doutoramento, mas incompatibilizada com toda a gente, vindo a perder-se por aí. Cuidado com os corpos culturais criados convictamente ou calculados. 

*  Este comentário não teria sido publicado aqui se me deixassem comentar no Blasfémias, mas aparentemente fui tão chato que passei a ser censurado pelo "liberal" Vitor Cunha. Imaginem o que este tipo faria se tivesse algum poder...

2 comentários

  • Sem imagem de perfil

    Anónimo

    31.03.19

    poucas coisas são tão agradáveis como ver alguém malhar num gajo que detestamos, mesmo que o perpetrador seja tão ou mais detestável!

    há uma certa beleza nesta confusão de emoções.

    quanto ao movimento 5.7. às vezes dá-me impressão que certa malta de direita até para comprar batatas na mercearia se inspira no Sá Carneiro e nos seus maravilhosos feitos. não dá para transformar Sá Carneiro num marca tipo CR7 e começar a vender perfumes, cuecas, bandeirinhas, t-shirts? tinha mais lógica do que criar movimentos atrás de movimentos, fazer discursos atrás de discursos.

    "Nós, os nascidos a 5 de Julho, e porque não somos socialistas."

    esta é a última frase do manifesto do movimento. podia ser a primeira, a segunda, a trigésima, podia ser a única frase do texto, aliás, repetida 2000 vezes, que ia dar ao mesmo. estamos perante um nado morto.
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