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OURIQ

Um diário trasladado

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11
Jun20

Retrato de um negacionista


Eremita

[Em preparação]

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Henrique Pereira Santos, que anda a pavonear a sua ignorância sobre epidemiologia vai para dois meses, fez umas citações truncadas de um comentário meu. O comentário foi este:

Se me permite [respondia a outra pessoa, não a HPS], convém esclarecer um grande equívoco. O que me move aqui não é a defesa das medidas de confinamento. Não me puxe para discussões sobre se é melhor morrer da cura ou se o Estado tem o direito de limitar a liberdade de cidadãos que não estão infectados. Podemos discutir esses temas, mas provavelmente para chegar à conclusão de que estamos de acordo em quase tudo. Prefiro não o fazer aqui para não me desviar do essencial.

O que me irrita profundamente é o negacionismo do efeito das medidas não-farmacológicas na diminuição da epidemia, tão bem exemplificado por HPS. É mesmo só isso. O "ataque pessoal" de que sou acusado é apenas uma reacção irritada à escrita estereotipada de HPS, muito louvada neste espaço pela singularidade e coragem, mas que é uma cópia do que se lê um pouco por todo o lado em blogues estrangeiros e incorpora todos os elementos típicos no pensamento de um negacionista (do Holocausto, das alterações climáticas, da esfericidade da Terra, das vacinas, etc.). Para evitar outro equívoco, friso o seguinte: não estou a dizer que HPS é um negacionista do Holocausto ou de outros factos estabelecidos, limito-me a identificar características comuns no pensamento dos negacionistas.

É claro que a minha opinião é baseada em estudos. A opinião dos negacionistas do efeito das medidas não-farmacológicas nasce de uma motivação libertária (há um paradoxo curioso que menciono num outro comentário) e de um cepticismo em relação aos especialistas muito característico. Este cepticismo resulta da complexidade do problema, que possibilita a aparente persistência da dúvida (tem sido a táctica de HPS desde que passou a "admitir" - mas sem inalar - "algum" efeito das medidas não-farmacológicas). Como o problema exige conhecimentos de matemática, epidemiologia, biologia e estatística (incluindo análises sofisticadas para identificar as variáveis relevantes), a opinião pública fica muito dependente do argumento de autoridade dos especialistas. E como há uma escola que, para promover o pensamento crítico, nos diz há séculos que o argumento de autoridade é sempre mau, os negacionistas vivem na ilusão de que são os representantes do espírito crítico. Há ainda uma pitada de "conspiracionismo" (os especialistas são uns vendidos que buscam protagonismo e financiamento para sua ciência), um desprezo pelas elites que tem uma raiz populista e ainda a impossibilidade de admitir o erro, que cristaliza a opinião do negacionista, pois admitir a parvoíce seria  devastador para a identidade entretanto criada. Tudo isto está muito bem descrito em inúmeros... estudos. Posso enviar-lhe alguns se estiver interessado.

 

As citações truncadas do Henrique estão aqui. Respondi-lhe provisoriamente assim* (uma resposta mais substancial aparecerá quando houver vagar):

Vou responder-lhe no blog. Mas ponha já algumas noções elementares dentro dessa sua cabeça, de uma vez por todas:

1) mostrar um gráfico que não foi feito por si não o iliba de responsabilidades. Tudo depende do uso que se faz do gráfico, como é evidente. 
2) se quer mesmo falar sobre a gripe e se insiste no bordão "é absoluta mentira" para efeitos de retórica de palanque, conte a história completa. A história completa tem necessariamente de incluir a sua confusão entre mortes por gripe e excesso de mortes associadas ao Inverno, uma incorrecção que nunca admitiu até hoje apesar da minha insistência. Só me obriga a expor uma vez mais o que se passou, o que farei. Depois não se queixe de "ataque pessoal".
3) quando usa citações truncadas cirúrgicas com o propósito de reforçar a sua vitimização, seria elegante indicar a fonte onde o leitor poderá encontrar o comentário completo. Mas não me surpreende. Faz uma gestão muito manhosa de comentários e novos posts para cortar a discussão e a relançar noutros termos.
4) Nunca estive interessado em discutir a sua crítica às medidas e os seus desabafos libertários. Talvez isto seja um choque para si e o seu imenso ego, mas esses seus insistentes comentários são muito aborrecidos e nada controversos. Por isso, trazer essas dimensões para esta discussão é mais um dos seus truques para angariar simpatias. Como expliquei várias vezes, critico apenas as suas certezas (entretanto transformadas em dúvidas), os seus textos absurdos e anticientíficos (como o seu "Isto não é matemática"), as suas caricaturas ignorantes do que é um modelo e de um saber de décadas que julga ter superado por instinto depois de se dedicar ao problema durante uma semana  (uma pose agora revista com uma mansa declaração de respeito pelos especialistas). 
5) a sua acusação de que me retiro do debate é ridícula. Se algum maluco tiver acompanhado as nossas interacções, terá reparado nos seus amuos e silêncios por ter ficado com a honra ferida e nas suas respostas altamente selectivas, ignorando sistematicamente as perguntas que lhe colocava. Isto é factual, mas ninguém se dará ao trabalho de verificar porque a discussão está partida em múltiplas caixas, o que lhe dá a lata de escrever o contrário. 
 
Quanto ao resto, responderei daqui a uns dias no meu blog, ponto por ponto. Como lhe disse, vai dar uma trabalheira, mas repito uma conclusão a que cheguei e me deixou perplexo. Em duas décadas de discussões acesas na internet, nunca encontrei ninguém tão manipulador e desonesto a discutir como o Henrique. Este seu texto é apenas mais um exemplo. 
 
* Várias horas depois de o submeter, este comentário continua por aparecer no blog de HPS. Adenda: entretanto apareceu. 
 
 

 

 

 

 

 

 

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