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OURIQ

Um diário trasladado

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07
Mai17

"Pornografia Religiosa"


Eremita

Sou acusado de fundamentalismo por não pactuar com o circo montado em torno do centenário das aparições de Fátima, celebração de um logro por de mais desmontado e desmentido, uma patranha para ludibriar pessoas de fé. Não ando a apedrejar peregrinos nem os atropelo quando os vejo na berma da estrada, mas não esperem de mim que sinta a mínima simpatia pelos sacrifícios a que se propõem - quase sempre em troca de intervenções divinas para males pessoais. 

Fátima é um negócio que reduz a Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) às práticas tão censuradas da Igreja Universal do Reino de Deus, com a diferença de que o negócio da ICAR é bem mais universalista e poderoso. O que se passa no santuário é do domínio da pornografia religiosa, nada tem que ver com a mensagem discutível, mas autêntica, do Cristo que expulsou vendilhões do templo. 

(...)

Que a imprensa se arraste de joelhos atrás disto, promovendo e exibindo o espectáculo sem critério que não seja o do puro sensacionalismo, que políticos da República laica se deixem também arrastar pela onda de populismo, são efeitos mais que previsíveis neste mundo em que tudo vale para se estar na crista das audiências. Tudo isto faz parte de um ambiente geral de alienação que só me deixa atónito com as contradições insanáveis do regime em que vivemos. 

Como convencer as pessoas dos benefícios da vacinação quando depois somos tão negligentes em matéria de racionalidade? Como esperar das populações progressos críticos e intelectuais quando depois aceitamos ser cúmplices deste medievalismo cultural? Como fugir ao sensacionalismo e à pornografia mediáticos quando depois nos instalamos pacificamente no meio do espectáculo com os braços cruzados? É impossível ficar indiferente a tudo isto. No limite da indiferença surge a inevitabilidade do nojo. Antologia do Esquecimento

 

 

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