Paulo Tunhas
Eremita
Em tempos já longíquos, o maradona (o blogger) escreveu que via futebol por causa dos pormenores. O que são os pormenores? Para o maradona, no caso do futebol, suponho que sejam subtilezas tácticas, detalhes pouco evidentes para quem não percebe nada de bola mas estruturantes. Para mim, no caso das leituras que faço à direita, são pequenos aspectos óbvios para toda a gente mas irrelevantes. Hoje, em Por Trump, Paulo Tunha faz um daqueles exercícios de contrarian à força em que tenta defender o narciso patológico que é Donald Trump. Não me apanharão a levar a sério a defesa de Tunhas. Qualquer cronista que, por insegurança, inabilidade ou precipitação, denuncie o objectivo de provocar a esquerda perde para os cronistas de direita e conservadores mais seguros que já ultrapassaram o complexo da discriminação e escrevem de uma forma muito mais arejada, ousada e interessante. Reparei apenas que o cronista dedicou algum tempo a explorar o filão que são as lombadas de quem resolve comunicar com o mundo usando a sua biblioteca pessoal como pano de fundo. Foi o suficiente para ler a crónica até ao fim. O gosto que maradona revela pelos pormenores fizerem dele um virtuoso entusiasta da bola, mas no meu caso só descubro vícios. Tunhas faz a apologia de Trumm e dou comigo a avaliar apenas a sua competência para explorar uma ideia divertida. A vítima de Tunhas foi Luís Costa Ribas, o homem da SIC nos EUA, que aparentemente tem entre as suas lombadas uma de um livro do próprio Costa Ribas. A ideia do cronista foi "excelente". A execução leva um "bom menos". Porque o zoom às lombadas que surgem nos telejornais merecia uma abordagem exaustiva, definitiva e menos engajada. Podia ser um fashion police, tão frívolo como o original, mas para intelectuais.
