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13
Nov17

O uivo do lobo


Eremita

 

 

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Nuno Ferreira Santos

 

Esse e os que se seguiram marcaram uma geração, chegou a dizer “O Antunes pega-se”. Muitos assumem uma herança.


Pois, aquilo de escrever à Antunes. Sempre foi assim, e acho que continua a ser assim. A gente olha à volta e tudo escreve à Antunes aqui. Entrevista a António Lobo Antunes, Público

 

Em 2016, voltei a pegar pegar num livro de Lobo Antunes, Os Cus de Judas, e a exibição de metáforas provocou-me uma indigestão; soou-me prosa datada e não me parece que tenha feito escola duradoura. Uns anos antes, tentara ler um dos romances então acabados de sair, já da fase em que os títulos são versos, e não tive pachorra para a "polifonia". O Lobo Antunes que recordo é o de As Naus e A Ordem Natural das Coisas. Mas aprendi a adorar as entrevistas ao António Lobo Antunes maduro e magnânimo, já sem necessidade de atacar os consagrados. Admiro a combinação única de arrogância com ternura, megalomania com melancolia, aversão ao intelectualismo que faz o psiquiatra falar como um velho sábio que não foi à escola mas é assistido por uma memória prodigiosa que lhe traz belas citações, e - claro - o mesmo conjunto de referências (o bairro de Benfica, o brilhantismo da família, a "mão" que escreve sozinha, África, a guerra e Melo Antunes), como se o mundo tivesse acabado no final dos anos 70 - ou voltado a existir apenas para o tentar tramar com um cancro. Lobo Antunes dá sempre a mesma entrevista, geralmente a mulheres que não se atrevem a fazer sequer uma pergunta de jeito, pois são primeiro hipnotizadas por aqueles olhos azuis e depois dominadas pelo abraço constritor de um ego predatório. Creio, sinceramente, que o António anda há décadas a gozar connosco e, para disfarçar, só nos resta ir rindo com ele.

 

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