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11
Ago20

O pecado original de João Galamba


Vasco M. Barreto

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João Galamba (de quem sou amigo) continua a ser um dos políticos mais insultados deste país. Apesar de ter sido apenas deputado e ser agora apenas secretário de Estado, a violência verbal de que o João é alvo faz dele quase um ministro. Em tempos, Vasco Pulido Valente referiu-se ao "abominável Galamba". Na última semana, a propósito de declarações infelizes do João no Twitter (de onde devia sair) e da polémica em torno do investimento no hidrogénio, João Miguel Tavares (JMT) e José Manuel Fernandes (JMF) atacaram-no em perfeita sintonia. Não ignoro que o João tem um estilo agressivo e até descortês, que o próprio reconhece, e friso que na sua posição actual não pode mesmo dizer que fulano ou sicrano é um aldrabão se não tiver provas. É natural que o João não seja consensual e gere muitos anticorpos por causa da sua agressividade, arrogância e capacidade argumentativa — que muitos não reconhecerão, I get it. Mas o que salta à vista nos reparos de JMT e JMF é o pecado original de João Galamba: ter sido lançado por Sócrates. Toda a argumentação destes dois profissionais do comentário assenta no pressuposto de que alguém com ligações a Sócrates não merece a nossa confiança. Sendo a eficácia populista desta estratégia evidente, segundo critérios de racionalidade e decência estes comentários causam vergonha alheia e nojo. Nojo. E são estes dois figurões a nata do jornalismo de opinião em Portugal... 

O João Galamba desligou-se há anos de Sócrates de modo absolutamente inequívoco. Mas para JMT, que até se diz católico e, de certa forma, também foi lançado por Sócrates, isto não foi um arrependimento genuíno, terá talvez até sido uma traição. De modo a acautelar o seu futuro e engrandecer-se ainda mais, JMT quer agrilhoar os antigos socráticos a um penedo para poder devorar-lhes o fígado todos os dias, como a águia que pune Prometeu.

Quanto a JMF, a palavra de João Galamba não vale nada porque ele é agressivo e megalómano como Sócrates, ou seja, também deve ser aldrabão. Pergunto-me que valor terá a palavra de JMF para JMF, que arrasta uma biografia com aquelas inversões de orientação política já na idade adulta tão típicas na malta que andava pela extrema-esquerda nos anos 70.  Eu diria que a palavra e o percurso do João valem alguma coisa, a sua palavra vale já mais do que a palavra de JMF a vinte ou trinta anos e ninguém ouvirá o João a dizer que a ligação a Sócrates foi um devaneio de juventude. Porque a vontade de entalar João Galamba é tanta, mas tanta, que estamos num daqueles casos raros em que a ausência de evidência é quase a prova de que em mais de dez anos de vida política nada de realmente grave pode ser apontado a João Galamba além de insinuações inconsequentes sobre ajustes directos à moda do Correio da Manhã, reparos ao seu estilo e associações ignóbeis a Sócrates.

 

 

 

2 comentários

  • Eu poria o meu dinheiro no João se ele fosse debater contigo e acredita que não é por ser meu amigo, é mesmo por andar com falta de liquidez.

    Limitei-me a assinalar dois comentários de cronistas reputados com exactamente a mesma estrutura: como Galamba foi lançado por Sócrates, só pode ser como Sócrates. Para ti, terá sido apenas uma coincidência.

    O João é licenciado em economia e destacou-se como deputado. E não foi o Sócrates que o fez secretário de Estado, foi Costa. Algum mérito Costa terá visto no João. De resto, um secretário de Estado não precisa de ser um técnico. Aliás, a ideia de que alguém com um perfil técnico está mais afastado dos lóbis não faz qualquer sentido porque será alguém vindo da indústria ou da universidade mas com ligações à indústria e que mais facilmente poderá tirar partido do cargo que ocupou depois de sair. Enfim, admito que esta é uma discussão válida (um perfil à Carlos Pimenta ou à João Galamba), mas o apelo à indignação que fazes está viciado.

    Consegues explicar a teia de lóbis? Sabes efectivamente do que estás a falar ou é tudo golpe de vista? Não aposto coisa nenhuma. A ligeireza com que as pessoas fazem juízos de valor sobre terceiros, confundido cinismo com perspicácia, nunca deixará de me surpreender.
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