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22
Jul18

O fim da democracia em Israel


Vasco M. Barreto

Tem razão Pacheco Pereira (JPP) quando associa o fim da democracia em Israel à aprovação da Lei Básica: Israel - Estado-Nação do Povo Judeu no dia 19 de Julho de 2018, um processo muito bem contextualizado por José Pedro Teixeira Fernandes e cujo resumo da lei copio: “1. O Estado de Israel. a) Israel é a pátria histórica do povo judeu na qual o Estado de Israel foi estabelecido. b) O Estado de Israel é o Estado-Nação do povo judeu, no qual este efectiva o seu direito natural, religioso e histórico à autodeterminação” [...]. 3. [A] unificada e completa [cidade de] Jerusalém é a capital de Israel”. 4. A Língua do Estado de Israel. a) O hebraico é a língua do Estado. b) O idioma árabe tem um status especial no Estado; a regulamentação da língua árabe nas instituições do Estado […] será regulada por lei.” Escreve JPP: "Agora, passa a haver uma situação que institucionaliza o estatuto de cidadãos de segunda, aos árabes israelitas, muitos dos quais, aliás, são cristãos, retirou o árabe de língua oficial de Israel e tornou Israel uma variante de Estado mais parecido com a teocracia iraniana". Este trágico acontecimento tem uma virtude ao clarificar e assumir uma tendência que sempre existiu em Israel e é neste momento maioritária (62 votos a favor, 55 contra). Os árabes israelitas já viviam e continuarão a viver em ghettos, já estavam e continuarão a estar privados de benefícios sociais por não terem feito o serviço militar, já eram e serão discriminados pelos senhorios, pelo direito de propriedade, por viverem em bairros que não beneficiam de serviços municipalizados como a recolha de lixo e a iluminação pública, por terem as suas crianças em escolas que recebem menos financiamento estatal do que as escolas dos israelitas judeus, já para não falar na lei que permite prender quem representar um perigo potencial, que na pratica só manda palestinianos aos milhares para a cadeia. Assim, pouco ou nada mudou. Mas o simbolismo da lei conta e põe os hipócritas em xeque. Quem defendia Israel por ser a única democracia naquela região do planeta terá agora de encontrar outros argumentos, ainda que o fim da democracia em Israel tenha resultado de um processo impecavelmente democrático. É que há, como se sabe, um outro conhecidíssimo exemplo histórico desse paradoxo. 

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