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10
Mar18

Steve Jobs e o "espírito de tolerância"


Eremita

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Um dos objetivos da ciência, e do conhecimento em geral, é ajudar-nos a evitar a dor. A contorná-la, a mitigá-la. É por isso que usamos anestesia e analgésicos, químicos que ajudam a regular as reações do nosso corpo, terapias que transformam a nossa vida numa coisa melhor. Num pequeno livrinho lançado ontem, Terapias, Energias e Algumas Fantasias(Fundação Francisco Manuel dos Santos), João Villalobos leva-nos de passeio pelos corredores das chamadas “terapias alternativas”, do Reiki à leitura da aura e ao estudo das “vidas passadas”, dos “tratamentos holísticos” à visitação dos anjos e à hipnose e ao reconhecimento das “energias”. À tentação de muitos leitores – considerar que essas terapias “não servem” porque não curam constipações –, prefiro a generosidade e o espírito de tolerância de Villalobos: tudo serve se o objetivo for o de contornar ou diminuir a dor de viver. A nossa vida é demasiado curta para recusarmos conhecer essas experiências. Sim, podemos até concordar que algumas são fantasias. Mas nenhuma fantasia é dispensável se nos ajudar a encontrar alguma luz. Francisco José Viegas

Há alguns equívocos neste texto. Se alguém acredita na astrologia, deve ter toda a liberdade de o fazer, mas eu prefiro que o Estado promova a astronomia e ignore a astrologia. Porquê? Porque a astronomia é uma ciência com provas dadas no aumento do conhecimento e promove o sentido crítico, enquanto a astrologia é uma prática sem validação empírica, que desincentiva o raciocínio e tende a ser promovida por charlatães. Também o argumento de que "tudo serve se o objectivo for o de contornar ou diminuir a dor de viver" nos levaria muito longe ou pelo menos até ao prédio devoluto mais próximo habitado por heroinómanos. Quanto ao valor da visitação dos anjos enquanto "experiência" cuja vida é demasiado curta para recusarmos, o snorkeling num recife de coral ou um roteiro gastronómico na Toscânia Toscana parecem-me experiências turísticas mais compensadoras. E o remate da indispensabilidade da fantasia que nos ajuda a encontrar alguma luz é pura irresponsabilidade, sobretudo depois de casos tão mediáticos como o de Steve Jobs, que por ter andado a perder tempo com medicinas alternativas fantasiosas talvez tenha tido uma morte prematura. É surpreendente ver Francisco José Viegas a escrever tamanhos disparates. Qual a explicação? Um capricho de contrarian estimulado pelas críticas recentes às medicinas alternativas? Um favor ao amigo João Vilalobos? São explicações insuficientes e só me resta admitir que Viegas quer agradar a uma namorada nova adepta do reiki

 

 

3 comentários

  • Sem imagem de perfil

    caramelo

    13.03.18

    Imagine que eu, um amante das trevas medievais e adepto das sanguessugas, achei o seu comentário um bocado deslaçado, pouco científico. Um bocado de ordem nisto. A medicina tem que ter utilidade. Como a engenharia de estruturas. Portanto, deve contribuir para o progresso material do doente, como qualquer pai ou mãe sabe quando coloca um penso no dói dói do seu filho, para lhe regenerar as células feridas. Fazendo isso o médico, já consola o doente o suficiente, se não estiver para lhe dar palavras consoladoras ou abracinhos. Mas um médico atinge um estado superior quando se começa a ocupar de “casos pessoais”, questionando-se se para aquele doente em especial lhe servirá o conhecimento adquirido nos números. Há médicos que o fazem. É por isso que é sempre de louvar, mesmo ou sobretudo na medicina, o amor pelo conhecimento, como diz, pois claro. É precisamente por isso que eu fazia um apelo para o melhor conhecimento das medicinas alternativas. Quem sabe se a medicina clássica não tem alguma coisa a aprender. Eu não sei como deveria ser gasto o meu IRS, mas gostaria que pelo menos servisse para formar mais médicos como aquele que um dia disse que “um médico que apenas sabe de medicina, nem de medicina sabe”.
  • Sem imagem de perfil

    Anónimo

    13.03.18

    Era um tempo em que um Medico era como um Deus e em que o seu conhecimento era o de um homem que tinha estudado e também lido e vivido as coisas do mundo.Hoje "pede-se "que o medico saiba como um Deus e ele continua sendo apenas um homem.Provavelmente isto é tão verdade que será substituido em grande parte por um algorítmico como aliás quase (?)todas as atividades.
    Nelson
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