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Um diário trasladado

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29
Out17

O derradeiro acto de patriotismo de Sócrates


Eremita

A única dúvida que me assola, depois de conhecer a acusação ao ex-primeiro-ministro José Sócrates de que este cometeu 31 crimes (três de corrupção passiva, 16 de branqueamento de capitais, nove de falsificação de documento e três de fraude fiscal), é a de saber se outros negócios públicos — por exemplo, as exportações patrocinadas pelo Estado, as rendas pagas pelo Estado para o fim de monopólios e as famosas parcerias-público-privadas —, feitos sob a égide do mesmo primeiro-ministro, também obedeceram ao mesmo esquema. A desconfiança é legítima e está instalada. São José Almeida, Público

 

Antes da acusação formal a José Sócrates, o ex-PM já tinha sido condenado pela opinião pública; agora está condenado pela opinião publicada, com a imprensa de referência a elogiar a imprensa de "sarjeta" pela investigação associada ao processo Marquês. Exceptuando os seus advogados de defesa, não existe hoje ninguém que arrisque o seu nome para defender Sócrates e não é por acaso que são anónimos ou escritos sob pseudónimo os raros blogs onde ainda se faz a defesa de Sócrates  -  mas cada vez menos, agora que a crítica à violação do segredo de justiça deixou de se aplicar. Também já se percebeu que a imprensa anda a fazer render o enorme peixe que é o processo de acusação. Todas as semanas, somos recordados de algo. Nos últimos dias, confirmou-se que, afinal, Sócrates e Ricardo Salgado conversavam, ao contrário do que o ex-PM afirmou recentemente na televisão. É só mais uma mentira e o nosso grau de dessensibilização no que toca às trapalhadas de Sócrates não nos permite manter a indignação, imperando hoje um certo encanto e fascínio perante os traços desta personagem romanesca, ainda que nos programas de comentário Sócrates seja sobretudo gozado.

 

Com o povo e a imprensa de referência convencidos da culpa de Sócrates, se no fim não houver condenação não será apenas a reputação da Justiça a ficar comprometida, mas também a da imprensa e de toda a sociedade. Se Sócrates se safa e for o último a rir, a vergonha colectiva paralisará o país como nem no sonho mais húmido de Arménio Carlos. Como nos podemos precaver deste desfecho? Não podemos. Mas Sócrates pode ajudar-nos. Como? Fugindo do país. A fuga de Sócrates é o cenário que minimiza as perdas. A Justiça seria reabilitada, pela confissão implícita de culpa, e a aparente falta de competência do foro policial para impedir a fuga de Sócrates seria muito mais tolerada do que a eventual incapacidade do Ministério Público em fazer prova. Os jornais seriam poupados à humilhação que seria Sócrates sair em liberdade, depois de tudo o que se andou a escrever. E o povo veria engrandecida a dimensão romanesca de Sócrates, logo imortalizada num biopic popular e esquemático realizado por Leonel Vieira, sem um final ambíguo - para grande frustração dos indefectíveis de Sócrates - em que a hipótese de perseguição política não seria definitivamente descartada. Sócrates deve fugir e o Estado, sem nunca o admitir, deve facilitar a sua fuga. Não há desfecho mais vantajoso para Portugal e os portugueses. 

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