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12
Mai19

O artista do insulto


Eremita

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Um dos problemas do insulto longo é a inevitável perda de espontaneidade. A tirada autodepreciativa de Cyrano sobre o seu nariz, como forma de humilhar o adversário pela exibição de virtuosismo, funciona numa peça de teatro, mas não seria possível num bar. De resto, o insulto no palco tende a ser ritualizado, como nos roasts feitos pelos comediantes e nos duelos de rappers, que muitas vezes são colegas cúmplices. A literatura tem uma grande tradição na arte de insultar, dos poemas de Hipónax de Efeso ao Manifesto Anti-Dantas, de Almada Negreiros, mas também na página escrita o insulto longo e cheio de virtuosismo técnico corre o risco de não funcionar por deixar uma impressão de artificialidade.

 

Estes insultos de Diogo Vaz Pinto (12) são um híbrido curioso. Ao contrário dos humoristas e rappers cúmplices, o fel de Diogo Vaz Pinto é real, mas a sua vaidade fez com que escrevesse textos com a artificialidade do exercício ritualizado. É como se o escritor fosse animado por emoções infanto-juvenis e as expressasse com o léxico, a gramática, as citações e as piruetas de um adulto com leitura. De certo modo, lembra a tragédia do castrado, o cantor com tessitura de menino servida por uma capacidade pulmonar e força muscular de adulto.

 

Este é apenas mais um exemplo de uma violência verbal gratuita, frequente nos meios literários, que vai esgotando e desvalorizando os recursos linguísticos para expressar o ódio. Um amigo estrangeiro a viver em Portugal disse-me em tempos que era ridículo haver celebridades em países pequenos, esquecendo-se ele que as celebridades, como outras figuras e pulsões, emergem formando padrões fractais, pois surgem com as mesmas características independentemente da escala, o que faz com que os EUA tenham a sua sex symbol, mas também a vila de Ourique, e que no meio literário minúsculo de um país pequeno e culturalmente insignificante como Portugal os egos possam ser praticamente nova-iorquinos, as invejas parisienses e os ressabiamentos londrinos, mesmo quando em causa estão prémios de tostões

 

Adenda: Diogo, amigo, conto rebater essa verborreia depois de despachar as tarefas do dia e deitar as crianças, mas perceberás que tiveste apenas o tratamento que dás a outros, embora com algum poder de síntese e sem citações pretensiosas. Entretanto, corrige o género de "personagem" porque esse francesismo bimbo não fica bem num jornalista de cultura e eu bato-me pela valorização da imprensa. 

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