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Um diário trasladado

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17
Jan17

Ninguém trabalha de graça


Eremita

Depois de José Vítor Malheiros, também Paulo Moura e Alexandra Lucas Coelho foram dispensados pelo Público de David Dinis. Pelo que se percebeu, o protocolo de dispensa consiste em fazer ao jornalista uma proposta tão desinteressante em termos remuneratórios que a única saída digna para um jornalista profissional  com uma carreira longa e prestigiada é bater com a porta. Ficou a perder o jornal.

 

Quando escrevi no Metro, fui pago. Mas no "i" escrevi de borla. Aliás, segundo creio, naquela altura o "i" não pagava a nenhum dos seus cronistas. Quem aceitou escrever em tais condições só o fez por não ter sido convidado por outro jornal para escrever uma coluna remunerada e porque escrever num jornal dá, em teoria, algum capital social. No meu caso, como ao fim de um ano e pouco o raio do capital social tardava em aparecer, preferi voltar a ter manhãs de domingo sem prazos para cumprir. Mas não deixei de escrever no "i" por sentir que estava a desvalorizar o trabalho de outros ao aceitar escrever de graça, uma crítica que me chegou a ser feita várias vezes. Se não entendo o colunismo como uma profissão, nem aprecio o processo de escolha de cronistas, muito influenciado pelo amiguismo, não me choca uma estratégia de promoção pessoal que passe, numa primeira fase, por aceitar qualquer coisa. Insisto na ideia: senti durante uns tempos que estava a ser pago; o jornal usava-nos para encher as suas páginas e nós usávamos as páginas do jornal para propagar as nossas ideias, os interesses, as manias, o nome e a fotografia. Curiosamente, o  "i" não foi um caso isolado. O cronista a custo zero existe noutros jornais, mas como diminui o capital social saber-se que ele escreve de graça, o facto é abafado. 

 

O episódio das dispensas do Público é outro campeonato. Dispensar três cronistas famosos afecta a qualidade do jornal e David Dinis parece não gostar do pluralismo, a menos que comece a despachar também colunistas de direita, mas o caso só será mesmo grave para os leitores se os colunistas dispensados não receberem propostas decentes de outros jornais ou revistas. Como é óbvio, no caso deles uma proposta mal remunerada é inaceitável, pois baixar-lhes-ia não só o saldo da conta bancária como o capital social construído ao longo de muitos anos a escrever na imprensa. 

 

PS: a ligação entre o parágrafo do meio e os outros dois é forçada, mas precisava de desabafar.

 

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