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20
Abr17

Naturopalermas


Eremita

Se virmos bem, quem está em maior risco até é a minha filha que não está vacinada e, por isso, não vejo que esteja a pôr ninguém em risco. Uma idiotaPúblico

Em rigor, pode não ser idiota e apenas egoísta. É muito difícil convencer um egoísta a vacinar os filhos, porque para um free rider o argumento do civismo e da solidariedade só reforça a sua convicção de que optou pela melhor estratégia. O enorme sucesso  da vacinação à escala mundial e a esmagadora evidência científica de que esta prática funciona com um risco ínfimo deveriam também ser argumentos suficientes, mas não funcionam porque as poucas pessoas que não vacinam os filhos têm as suas convicções fortemente blindadas por documentação alternativa e vêem a sua opção como identitária. Como então se poderá convencer esta gente? Invariavelmente, os poucos pais que insistem em não* vacinar os filhos - apesar dos problemas burocráticos que surgem quando as crianças entram na escola e da condenação social desta prática -  são adeptos da macrobiótica e da naturopatia, isto é, privilegiam a comunhão com a natureza; em muitos casos, serão ainda luditas adeptos do multiculturalismo e do feminismo. Existe assim uma remota possibilidade de que a história da vacinação os demova. A vacinação é apenas uma forma moderna e muito mais segura (sistematizada por Edward Jenner, no século XVIII) da "inoculação", uma prática ancestral, que era já usada pelos chineses no século X  D.C. e um pouco por toda a Ásia, incluindo a Turquia, e que foi introduzida na Europa por Lady Montagu, mulher de um embaixador inglês em Istambul. Por outras palavras, uma mulher teve um papel essencial e a prática original, transversal a várias culturas, precede em séculos a Revolução Industrial, factos simpáticos para um ludita multiculturalista e feminista. Mas há um argumento mais convincente: os pais que julgam estar em comunhão com a natureza ao recusar a vacinação devem ter presente que tal luxo só não termina mais vezes em tragédia por causa da imunidade de grupo, que resulta da vacinação da maioria da população. Dito doutro modo, os pais adeptos da macrobiótica e da naturopatia que não vacinam os filhos estão em harmonia com uma natureza alterada pela ciência e tecnologia, pelo que vivem iludidos. Os seus rituais, como o reforço do sistema imunitário através da dieta alimentar, só funcionam nesta natureza modificada pelo homem e jamais seriam suficientes num mundo sem vacinas. Grow up

* Gralha corrigida (obrigado, Alberto Costa). 

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