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OURIQ

Um diário trasladado

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05
Mar19

Moby-Dick e outras pilas


Eremita

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Como expliquei em tempos, Ricardo Araújo Pereira (RAP) complica-me a vida. A Lia adora-o e ri mais com as piadas dele do que com as minhas. Chamem-me primário, mas perturba-me que outros homens sejam mais capazes do que eu de provocar reacções físicas na minha mulher. A quantidade de piadas falhadas que acumulo nesta casa deu-me inclusive uma ideia catita sobre um homem frustrado por ter a ambição mas lhe faltar o talento para o humor. Creio que é um ângulo ainda pouco explorado e - com a minha megalomania típica para títulos - chamei a este  conto "O artista do riso". Mas disperso-me. Gostaria apenas de frisar que as obsessões não são um problema. A obsessão pode ser uma força criativa poderosa e, quando tudo falha à nossa volta, é à obsessão que vamos buscar a força para atravessar o deserto. Em registo life coaching, afirmo que o problema não é termos uma obsessão, mas esquecermos que ela existe. Melville escreveu sobre isto de forma muito capaz, eu serei apenas mais sintético. Por saber que invejo RAP (mais talentoso para o humor do que eu, mais alto, mais bem sucedido e bem pago, etc.), censuro o impulso de o criticar, embora sonhe com o dia em que alguém escreverá sobre o seu trabalho um texto demolidor. De resto, ando há anos a preparar esse texto. Já li muito sobre teoria do humor, da filosofia pré-Bergson às referências pós-Victor Raskin, e se me perguntarem qual é a minha principal motivação, seria desonesto não glosar a personagem de Bill Murray em The Life Aquatic, respondendo simplesmente: "vingança". Daí a minha atenção às pouquíssimas críticas de que a nossa unanimidade nacional é alvo. "O Sr. Araújo e as suas merdas" despertou-me naturalmente a curiosidade e até as glândulas salivares. Infelizmente, descubro que quem o escreveu tem uma obsessão ainda mais primária do que a minha. Afinal, criticar o RAP por ciúme é menos ridículo do que fazê-lo para vingar Sócrates.

 

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