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Ouriquense

12
Abr18

Lobo dixit

Eremita

Não espanta que Lobo Antunes transforme o prefácio de um livro de Agustina num pretexto para falar sobre o seu tema predilecto: Lobo Antunes. Também não espanta que Lobo Antunes elogie agora Agustina, quando nos anos oitenta - salvo erro - o jovem Lobo a tratava por "bruxa" - seguramente mais uma alusão à personagem Quina, de A Sibila, do que a alguma peculiaridade física ou sobrenatural da escritora. Na altura, também Vergílio Ferreira era por ele designado como o "Sartre de Fontanelas", mas anos depois, do alto do firmamento dos escritores, Lobo Antunes deu-se ao luxo da magnanimidade, elogiando Vergílio Ferreira, então já convenientemente enterrado ou cremado. 

 

O Xilre irritou-se com Lobo Antunes. Se não me falha a memória, há uns anos, também um prefácio displicente de Lobo Antunes ao A Consciência de Zeno irritou um crítico literário. Eu até sugiro que o prefácio de Lobo Antunes, pela descrição do Xilre, foi reciclado sem grande perda de tempo desta crónica, pois - como sabemos - para o escritor o que conta mesmo é escrever romances e o resto, exceptuando o Benfica e os veteranos da guerra, não deve ser levado a sério. Tudo isto é público. O culpado, como se vê, não é o escritor, mas quem persiste em convidá-lo para escrever prefácios, pois Lobo Antunes apenas seria capaz de fazer um bom trabalho se prefaciasse um dos seus próprios romances. Talvez a ideia ocorra a algum editor e Lobo Antunes a considere menos bizarra do que encantadora.

 

 

 

 

 

 

4 comentários

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    LMR 13.04.2018

    Lobo Antunes provavelmente apenas quis dizer que Vergílio Ferreira pertenceu ao neo-realismo, o que é verdade em relação aos seus primeiros romances. O mesmo em relação a José Saramago, o que é mais problemático, porque "Terra do Pecado" (e a nenhum outro cabe o rótulo) ignorava vários preceitos neo-realistas ao ter como protagonista uma latifundiária em vez de uma camponesa. Está mais próximo do romance realista do século XIX, um Eça sem humor.

    Cardoso Pires por acaso até começou como neo-realista; e lembro-me de Vasco Pulido Valente (que também foi amigo dele e não o alardeia tanto) há uns meses ter referido como ele andava sempre a consultar Mário Dionísio, o teórico do neo-realismo, para saber se não se estava a desviar da doutrina.
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    LMR 13.04.2018

    Lembrei-me mal das palavras de VPV. O que ele disse foi:

    "Fora isso, Mário Dionísio, justiça lhe seja feita, defendeu meia dúzia de escritores contra a fúria jdanovista do tempo, entre os quais José Cardoso Pires que me descreveu mais tarde os tremores com que tinha ido apresentar Os Caminheiros ao sumo sacerdote da ideologia."

    https://observador.pt/opiniao/31-de-outubro-a-5-de-novembro-2016/
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    Anónimo 13.04.2018

    O Carlos de Oliveira também se procurar no bau em casa dos descendentes é capaz de ter um conto neo realista .Ridículo.E já agora ser neo realista no tempo em que se foi Neo Realista agora dá direito ao inferno da literatura é? No cinema teremos então de obrigar os descendentes do Rosselini,Visconti e etc a pedir desculpas por terem sido Neo Realistas?
    Nelson.
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