José Manuel Fernandes brochou
Eremita
Em quem se votaria nas eleições de domingo no Brasil passou a ser um teste de litmus para sondar a direita portuguesa. O Público percebeu-o e fez a pergunta a Jaime Nogueira Pinto, Luís Nobre Guedes e João César das Neves. Mas a resposta mais fascinante é a de José Manuel Fernandes. O cronista apresenta-se como um pensador livre e corajoso contra a maioria bem pensante que recomenda o voto em Haddad. Estamos perante um caso de exibicionismo de virilidade intelectual. Porém, há um problema. JMF gasta mais de metade do artigo a zurzir no PT e a lembrar que o programa do PT transformaria o Brasil numa Venezuela. Fala-nos depois das virtudes do programa económico de Bolsonaro. E diz até que teme por um golpe de Estado militar se Haddad ganhasse e indultasse Lula. Só que depois, surpreendentemente, assegura que votaria em branco porque Bolsonaro lhe causa repulsa. Ora, a única justificação lógica para JMF votar em branco depois de escrever o que escreveu é a grande vantagem que Bolsonaro leva. Se JMF quisesse mesmo armar-se em livre pensador e contrarian, teria escrito que num cenário em que o resultado final fosse incerto, ele votaria Bolsonaro. Mas colocar-se perante tal cenário e dar o passo em frente ele não foi capaz de fazer. Com pena, Jaime Nogueira Pinto deve ter concluído que JMF ainda não foi completamente reeducado.
