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02
Nov19

Jorge de Sena e a nossa culpa


Eremita

Screen Shot 2019-11-02 at 20.11.00.png

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Eis um artigo extenso (para os nossos dias) de Luís Miguel Queirós sobre Jorge de Sena que foi muito partilhado (tratando-se de um intelectual morto), mas em que se insiste na falta de reconhecimento do escritor. O ano em que se assinala o centenário do nascimento de Jorge de Sena já teve ou ainda terá uma jornada na Gulbenkian dedicada ao escritor, um número da Colóquio Letras, um ciclo de cinema na Cinemateca, um encontro... não, são dois, um evento, um colóquio... não, são dois em Portugal e outro no Brasil, longas entrevistas de familiares na imprensa, menções detalhadas em blogs, etc., mas não chega. Nunca chega. Aparentemente, Portugal tem duas dívidas históricas eternas: a dívida com os povos colonizados, espoliados e escravizados, e uma dívida com Jorge de Sena, tão ou mais injusta e brutal, por não ter reconhecido o génio do escritor e a elite universitária ter ficado de braços cruzados, não contribuindo para que ele regressasse dos EUA após o 25 de Abril. Escreve Luís Miguel Queirós que "ainda nenhum político se lembrou de o propor para o Panteão". 

Esta culpa colectiva começou por ser incutida pelo próprio Jorge de Sena e foi sendo depois cultivada por muitos, de Eduardo Lourenço a Mécia de Sena, viúva do escritor e guardiã da obra. Não será este um bom ano para acabar com o interminável lamento? Não vale a pena lembrar a impossibilidade de conhecer a obra de todos aqueles que nos precederam, uma exigência que só cria ansiedade. Comparado com outros intelectuais do século XX entretanto desaparecidos, Jorge de Sena está a ser bem recordado e homenageado. Sinais de Fogo foi reeditado belissimamente em 2009 pela Guimarães Editores. A sua correspondênca com outros escritores tem sido publicada (1,2,3,4) e até inspirou um filme, apesar de o interesse das cartas trocadas com Sophia de Mello Breyner ser sobretudo do domínio do voyeurismo intelectual. Não chega? O escritor tem o reconhecimento popular possível num país em que os leitores de literatura exigente devem caber todos nas bancadas do Estádio do Jamor.

 

 

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