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17
Mar19

Houllebecq e as birthstrikers


Eremita

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"Sa mère avait regretté ce mari volage mais munificent, et qui d’ailleurs lui laissait pas mal de liberté de son côté, mais surtout elle n’avait pas supporté l’idée de se retrouver seule avec sa fille, son mari était certes un queutard mais également un père assez tendre, qui prenait une grande part dans les soins de l’enfant, et elle ne se sentait aucune fibre maternelle, absolument aucune, et avec les enfants dans le cas de la mère c’est tout un, soit on se dévoue totalement à eux, on oublie son propre bonheur pour se consacrer au leur, soit c’est l’inverse qui se produit, et ils ne sont plus qu’une présence immédiatement gênante et rapidement hostile. Sérotonine, de Michel Houellebecq
Houellebecq tem algo de idiot savant, isto é, a sua prosa oscila entre um admirável conhecimento profundo e sincero da solidão e uma embaraçosa ignorância quanto às relações humanas. Veja-se a afirmação categórica e absolutista sobre a maternidade, que só se explica por uma experiência de filho mal amado que não seria depois amenizada pela paternidade (Houllebecq não tem filhos). Aliás, cada vez mais a mulher é capaz de se realizar como mãe e profissional, o que reforça o anacronismo.
 
Um dos raros exemplos que, pelo radicalismo aparenta dar razão a Houllebecq, é o das BirthStrikers,  as mulheres (e alguns homens) que abdicam da procriação em protesto contra o “climate breakdown and civilisation collapse”. Mas estas mulheres não são sequer mães e, não só suspeito que estejam a usar as alterações climáticas para sublimar outros (legítimos) receios,  como aposto que em alguns anos muitas mudarão de ideias, independentemente do estado do planeta. Houllebecq ficou refém do seu passado; elas são reféns de um futuro que nem sequer lhes pertence. Prefiro de longe Lisístrata, a personagem de uma peça grega de Aristófanes que iniciou uma greve sexual entre as mulheres para acabar com a Guerra do Peloponeso. 
 
 
 
 

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