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OURIQ

Um diário trasladado

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27
Jan17

Geometria descritiva


Eremita

Parafraseando João Bénard da Costa, já não tenho idade e nunca cheguei a ter estatuto para desprezar publicamente os grandes clássicos da literatura. E há um elemento nos Karamásov que, não sendo original, também conto explorar no bwOs filhos karamásov são três. Porquê? Tese: porque, no mesmo plano, não é possível colocar mais de três elementos numa disposição tal em que cada um está exactamente à mesma distância dos restantes*. Iliocha, Ivan e Mítia são os três vértices de um triângulo equilátero e seria possível mapear a personalidade de qualquer leitor a partir da posição por este ocupada dentro do triângulo, isto é, o ponto em que se anulam os vectores de força correspondentes ao tropismo e à aversão que cada um dos irmãos desperta. Eu, por exemplo, em vias de começar o livro 11 (O Irmão Ivan Fiódorovitch), encontro-me longe do caprichoso e impulsivo Mítia, perto do místico e bondoso Aliocha, mas ainda atraído por aquilo que Ivan promete ser (quase não tem aparecido). 

 

 

Screen Shot 2017-01-27 at 10.13.03.png

 

* Num espaço tridimensional, um tetraedro em que todas as faces são um triângulo equilátero com as mesmas dimensões define um volume em que cada um dos quatro elementos (colocados nos vértices) está equidistante dos outros três, mas passa a ser mais difícil intuir o ponto de equilíbrio dos quatro campos de força, porque lidamos mal com o aumento de dimensões. Creio que a regra é k=d+1, em que k é o número de pontos equidistantes e d o número de dimensões. Obviamente, para mais de três dimensões tudo se torna inimaginável. Por outras palavras, três personagens asseguram a complexidade necessária e suficiente. 

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