Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

OURIQ

Um diário trasladado

OURIQ

Um diário trasladado

06
Set20

Fanatismo constitucional


Eremita

Sonho com uma escola pública que tivesse como finalidade primeira formar alunos que no final da escolaridade obrigatória recebessem o título de cidadãos, após terem passado 12 anos a estudar a Constituição da República Portuguesa – todas as restantes disciplinas a serem subsidiárias deste eixo central de aprendizagem: descobrir donde veio a liberdade, onde e com quem está, e para onde nos pode levar. Valupi

Pois eu vou ensinar as minhas filhas a desconfiar de quem tem pancas por livros. Qualquer livro. Parece-me uma heurística catita e ensina-se em 12 minutos. 

 

 

9 comentários

  • Imagem de perfil

    Eremita

    06.09.20

    Está bem, pá. Essas tiradas não devem ser boas para a tensão arterial, mas depois de passares umas semanas a cortar no sal explica a necessidade de fazer a Matemática, as Ciências Naturais, a Física e a Química, ou seja, um bom terço da escolaridade, "subsidiárias deste [ a CRP] eixo central de aprendizagem: descobrir donde veio a liberdade, onde e com quem está, e para onde nos pode levar". Quando se tentou e se tenta fazer o que sugeres às ciências, à luz desses "processos civilizacionais sempre em aberto", deu e vai dando asneira da grossa, mas há sempre uns entusiastas como tu que insistem no erro com uma convicção e arrogância notáveis. Acabaste apenas por confirmar que o título do post não é sarcástico mas simplesmente descritivo e até mais certeiro do que pensava.
  • Sem imagem de perfil

    Valupi

    06.09.20

    Tu disparas primeiro e perguntas depois. Vai na volta, a hipertensão está desse lado. Mas vale a pena a tonteira dos teus automatismos pois é sempre um gosto regressar aos pilares da civilização.

    Ora, não sei se já ouviste falar numa coisa chamada "universidade". Admitindo que sim, talvez admitas que o seu projecto consiste na unificação do saber (conferir a etimologia, em caso de dúvida). Não é por se constatar que essa unificação permanece inacabada que deixa de ser o horizonte que guia a epistemologia - melhor, as epistemologias.

    A universidade não nasceu em Bolonha, há bué. Numa versão esotérica, ou romântica, nasceu com a tradição pitagórica. Na narrativa cultural, nasceu com Platão e chamava-se Academia. O projecto, que nos chegou em documentos suficientes para lhe vermos a arquitectura gnoseológica, tinha como finalidade educar uma aristocracia. Vou repetir devagarinho para teres tempo de assimilar: a r i s t o c r a c i a.

    Que faz o aristocrata? Exactamente o mesmo que o democrata, só que muito melhor, pois toma decisões para a comunidade nascidas do melhor conhecimento "científico" disponível nesse contexto histórico - era a fezada de Platão. Para tal, o candidato a governante tinha de, primeiro, adquirir experiência de vida (começando essa formação logo desde criança no confronto com a guerra e seus horrores, sendo levado para os campos de batalha após a refrega), depois mostrar ter vocação intelectual (dos 50 anos em diante), e, por fim, revelar capacidades superiores à concorrência nos domínios cognitivo e volitivo. Não importa se esta visão é caricatural ou alegórica, importa é que é sapiente.

    Esta ideia de que o saber ecléctico deve ser o fundamento da boa governação, se bem entendo o naco confuso que escreves acima, leva-te a puxar da pistola. Porém, é o que se pratica nas instituições educativas de elite. Onde se estudam propedeuticamente, ou complementarmente, coisas tão esdrúxulas como latim e matemática em cursos de Direito e Ciência Política, por exemplo.

    Donde, ambicionar que a educação estatal seja uma escola de aristocratas aparece-me como a realização suprema da democracia. Se precisares, já sabes: avisa para te enviar um desenho.
  • Imagem de perfil

    Eremita

    06.09.20

    Imagino-te feliz com o que acabaste de escrever, gosto que me expliquem coisas como se ainda andasse no liceu (rejuvenesce-me) e não discordo de nada. É mais uma versão, agora em registo de utopia e com gregos à mistura, da velha mitologia de que em tempos houve tipógrafos e operários cultos. O único problema, em ti muito habitual, é esse emendar de mão. Porque o teu parágrafo que citei tresanda a um positivismo invertido deveras horripilante. O que escreveste agora é outra coisa. Não me devo ter feito entender (é esta a fórmula que se usa, Valupi, mesmo quando pensamos que o nosso interlocutor é um idiota), porque não pretendi lembrar "que o saber ecléctico deve ser o fundamento da boa governação" (mas de onde tiraste tu tal ideia?). Não discordo, mas é como se tivesses escrito como resposta outro "non sequitur" qualquer, como o relato de que hoje comeste salmão com brócolos o almoço. O que escrevi no comentário "confuso" é que não precisamos de tornar o ensino da ciência subsidiário de coisa nenhuma, nem mesmo daquelas coisas que te fazem pôr pessoas na muralha da cidade ou lá o que é. A ciência existe para entender a realidade e o ensino da ciência deve apenas preocupar-se em formar cidadãos capazes de entender a realidade. Se começas a vergar o entendimento da realidade aos ideais de cidadania do momento ou da geografia, dá asneira. O Lisenkismo é o exemplo corriqueiro, por ser tão grosseiro e grotesco, mas há outros. Enfim, se este comentário é absurdo, talvez parte da confusão esteja no teu parágrafo inicial.
  • Sem imagem de perfil

    Valupi

    06.09.20

    Claro, pois claro. Tu usas um blogue frequentado diariamente (horariamente?) por alimárias do calibre dessa que anda à caça de "anónimos do Largo do Rato" (e com a qual concordas) para anunciar ao mundo que a Constituição é um "livro", e que há para aí uns fanáticos desse "livro", e eu é que preciso de me explicar melhor. Atão, não.

    Positivismo invertido não sei o que seja (espero que não seja ofensa chula) mas sei identificar o "bullshit" quando dou com ele, como aqui:

    "A ciência existe para entender a realidade e o ensino da ciência deve apenas preocupar-se em formar cidadãos capazes de entender a realidade. Se começas a vergar o entendimento da realidade aos ideais de cidadania do momento ou da geografia, dá asneira. O Lisenkismo é o exemplo corriqueiro, por ser tão grosseiro e grotesco, mas há outros. Enfim, se este comentário é absurdo, talvez parte da confusão esteja no teu parágrafo inicial."

    Indo do fim para o princípio, a culpa é da vítima, repetes. Tu atribuis um qualquer devaneio que te atravesse o bestunto a um dado texto e depois declaras que o responsável pelo fenómeno não está ao comando dos teus neurónios, está só na mera existência do estímulo para a tua alucinação. Depois, o Lisenkismo é falácia de distracção, não tem nada a ver com nada da minha conversa, só com a tua. Tem a ver com a invenção imediatamente anterior, em que me atribuis o intento de adulterar, impedir ou destruir o conhecimento científico por factores a que chamas, e com involuntário humor, "ideais de cidadania do momento".

    Vou mostrar-te, sem margem para qualquer dúvida, onde erras:

    - O parágrafo que foste buscar ao Aspirina refere-se exclusivamente à "escolaridade obrigatória". Aqui entre nós que ninguém nos lê: achas mesmo que o "ensino da ciência" se esgota e realiza na escolaridade obrigatória?

    - Os Estados costumam ter políticas de educação. Os Governos costumam ter ministérios da Educação. Os Estados e os Governos costumam elaborar Políticas de Educação. Qualquer dessas políticas implica necessariamente uma axiologia. Achas que essa axiologia deve ser distante, contrária ou alternativa à da Constituição que dá legitimidade soberana a esses Estados e Governos?

    - A ciência não existe no reino dos nefelibatas. A ciência é uma construção intimamente ligada às sociedades onde se desenvolve, como é óbvio. Ainda hoje é fonte de inesgotável polémica a sociologia da origem e desenvolvimento da ciência e suas correspondentes aplicações tecnológicas e políticas. O que não se pode, sob pena aí sim de fanatismo e tirania insana, é fazer da ciência a única fonte de sentido para o que seja a "realidade". Ou serás alguém que espera da ciência orientações produzidas em laboratório ou computador para saberes o que fazer com os teus afectos, os teus gostos, as tuas opções políticas, a tua vontade, a tua ética e a tua liberdade?




  • Imagem de perfil

    Eremita

    06.09.20

    Não percebi nada do primeiro parágrafo. Creio mesmo que andas a cultivar a falta de clareza.

    Quanto ao resto, deves ver em "subsidiário" uma polissemia que eu desconheço. Para mim e o comum dos mortais, "subsidiário" significa que tem menos importância, é acessório, secundário e não essencial. Insisto no mesmo porque o resto não me interessa (no sentido de não discordar): não temos de fazer as ciências subsidiárias dessas ideias que, curiosamente, ambos tentamos cultivar, nem sempre conseguindo (falo por mim). Se a tua ideia era outra, ainda bem. Mas então o teu parágrafo é um monumento ao equívoco e podes até encomendar um pedestal.
  • Sem imagem de perfil

    Valupi

    06.09.20

    Subsidiário, pois sim. Subsidiário. Subsidiário. Subsidiário.

    Quer apenas dizer que sonho com alunos com a -> escolaridade obrigatória <- concluída que tenham mais literacia a respeito do direito de voto, e demais direitos e liberdades conexas, do que a respeito de Bachelard, Popper e Kuhn.
  • Sem imagem de perfil

    Miguel

    07.09.20

    Em suma, Valupi, estás mais preocupado em disciplinar do que em emancipar os alunos e futuros cidadãos. Os do outro lado também, só que preferem uma outra disciplina. O confronto a que assistimos não é mais do que uma dança ritual. Mas no fundamental estão de acordo uns com os outros . O que se deseja é uma força de trabalho disciplinada, subserviente e sobretudo inculta. Afinal, há lugares para quantos nos auditórios da Gulbenkian ou no São Carlos?

    A herança cultural católica custa a morrer.

  • Sem imagem de perfil

    Anónimo

    07.09.20


    Sem imagem de perfil
    Valupi
    06.09.20
    Claro, pois claro. Tu usas um blogue frequentado diariamente (horariamente?) por alimárias do calibre dessa que anda à caça de "anónimos do Largo do Rato, &etc.

    Miguel: que a personagem Valupiana anda preocupada, sim, mas não é exactamente com aquilo que dizes. Preocupa-o todos os outros que, flanando pela blogosfera passam às vezes pelo Aspirina B que, um belo dia, escrevem isto: «Valupi, o novo maluquinho da praça, uma espécie de Pedro Arroja do socialismo.»; todos os outros os que flanam e flanam, que se divertem e que gozam com a poderosa «capacidade argumentativa» do socratista acima, acima gajeiro, acima ao tope real!, vê se vês, guarda o que vês e diz-nos o que tens nessa sacola para todas as ocasiões e serve tangas ora servidas cozidas, assadas ou fritas e, ainda, em versão vegan se necessário... Os restantes, essa meia-dúzia, metes-lhe um jarro e um copo de três à frente e vai-os servindo que assim se passam os dias. Ai a decência, ou a falta que ela faz.

    Toma lá milho painço
    4 DE SETEMBRO DE 2020 ÀS 19:38
    Ó Eric, vai trabalhar, pá!
    Olha, o Venturinhas precisa de pázinhos como tu, cheios de sangue facho na guelra, isto, bem entendido, se não estiveres já lá enfiado, não no dito mas no chaga, claro.
    Eu sei, Valupi, que te dá um gozo danado este traficante ter voltado a andar por aqui, agora disfarçado de pombinha, e que te divertes à pampa com a foleirice dele. Mas há que não esquecer que o gajo é como o cheiro a merda, onde ele chega, as pessoas afastam-se, se é que me faço entender.
    Aliás, é mesmo essa a intenção dele, como já vimos em tempos aqui no Aspirina, só que nessa altura não tinha penas.

    Ui?

    Toma lá milho painço
    4 DE SETEMBRO DE 2020 ÀS 19:38
    O que o aspirina faz ultrapassa o admissivel em democracia. E vergonhoso! Divulga um texto que defende os valores do 25 de Abril contra a extrema direita e, logo a seguir, serve se da sua Pomba Branca para tentar confundir valores inconciliaveis, chegando ao ponto de elogiar o Joao Miguel Tavares insultando, pelo meio e sem vergonha, um sem numero de politicos respeitados e eleitos pelos portugueses por defenderem, sem margem para qualquer duvida, os valores do 25 de Abril!
    O mais grave de tudo isto, e que nao se trata de um caso isolado! O aspirina/Pomba Branca utiliza sempre esta tecnica do jornalixo! Um truque que a levou a perder toda a credibilidade mas que, para quem ainda nao deu conta, nao pode deixar de ser denunciado!

    Valupi
    7 DE SETEMBRO DE 2020 ÀS 13:38
    Olhe eu tenho tido a máxima paciência consigo, mas desta vez passou das marcas.
    1) O Aspirina B não conhece o/a Pomba Branca de lado nenhum.
    2) Ele comenta o que bem lhe entende e da forma que entende, tem aqui a mesma liberdade que você tem para asnear.
    3) Só que não posso admitir que alguém venha para aqui propalar a existência de uma correlação entre um frequentador deste blog e o autor do blog, nada havendo que o indicie, nem tendo qualquer prova disso mesmo.
    4) Assim, este é o meu único e definitivo aviso, meu caro: se reincidir com comentários do mesmo tipo, serão eliminados e será banido e impedido de comentar mais neste blog.
    5) De resto, trate-se: deve sofrer de alucinações persecutórias que não o deixam dormir e lhe potenciam um estado febril, continuado.

    ______

    Muito, mas muito, muito bem respondido, Valupi, que a força esteja contigo e qu’a coragem, a decência e a lucidez demonstradas nunca te faltem! Xô, para trás, bebe água del cano e, genoma de rafeiro, vai ganir para outro lado, busca-busca, que o caneiro de Alcântara, a praia paradisíaca de Algés ou as furnas de Monsanto sempre são melhores do que nada…
  • Comentar:

    Mais

    Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

    Este blog tem comentários moderados.

    Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.

    Pesquisar

    Comentários recentes

    • Anónimo

      Vasco: diz-se agora na Visão que o teu amigo João ...

    • Anónimo

      ... guê de gugu, assim gadget.

    • Anónimo

      Adenda... ó Vasco: tal como o Galamba, o Siza, o C...

    • Anónimo

      Vasco, Vasco, Vasco.«Nós queremos ter Natal! E que...

    • Anónimo

      Off.Da série “Subsídios para um Dicionário Breve d...

    Links

    WEEKLY DIGESTS

    BLOGS

    REVISTAS LITERÁRIAS [port]

    REVISTAS LITERÁRIAS [estrangeiras]

    GUITARRA

    CULTURA

    SERVIÇOS OURIQ

    SÉRIES 2019-

    IMPRENSA ALENTEJANA

    JUDIARIA

    Arquivo

      1. 2020
      2. J
      3. F
      4. M
      5. A
      6. M
      7. J
      8. J
      9. A
      10. S
      11. O
      12. N
      13. D
      1. 2019
      2. J
      3. F
      4. M
      5. A
      6. M
      7. J
      8. J
      9. A
      10. S
      11. O
      12. N
      13. D
      1. 2018
      2. J
      3. F
      4. M
      5. A
      6. M
      7. J
      8. J
      9. A
      10. S
      11. O
      12. N
      13. D
      1. 2017
      2. J
      3. F
      4. M
      5. A
      6. M
      7. J
      8. J
      9. A
      10. S
      11. O
      12. N
      13. D
      1. 2016
      2. J
      3. F
      4. M
      5. A
      6. M
      7. J
      8. J
      9. A
      10. S
      11. O
      12. N
      13. D
      1. 2015
      2. J
      3. F
      4. M
      5. A
      6. M
      7. J
      8. J
      9. A
      10. S
      11. O
      12. N
      13. D
      1. 2014
      2. J
      3. F
      4. M
      5. A
      6. M
      7. J
      8. J
      9. A
      10. S
      11. O
      12. N
      13. D
      1. 2013
      2. J
      3. F
      4. M
      5. A
      6. M
      7. J
      8. J
      9. A
      10. S
      11. O
      12. N
      13. D
      1. 2012
      2. J
      3. F
      4. M
      5. A
      6. M
      7. J
      8. J
      9. A
      10. S
      11. O
      12. N
      13. D
      1. 2011
      2. J
      3. F
      4. M
      5. A
      6. M
      7. J
      8. J
      9. A
      10. S
      11. O
      12. N
      13. D
      1. 2010
      2. J
      3. F
      4. M
      5. A
      6. M
      7. J
      8. J
      9. A
      10. S
      11. O
      12. N
      13. D
      1. 2009
      2. J
      3. F
      4. M
      5. A
      6. M
      7. J
      8. J
      9. A
      10. S
      11. O
      12. N
      13. D
      1. 2008
      2. J
      3. F
      4. M
      5. A
      6. M
      7. J
      8. J
      9. A
      10. S
      11. O
      12. N
      13. D