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01
Jul18

Estudos de Género: feminismo ou carreirismo?


Vasco M. Barreto

No mesmo dia, o Público publica dois textos de opinião sobre Estudos de Género. No primeiro, de Filipa Lowdes Vicente*, fala-se da "subalternização do feminino na História". É um assunto pertinente, até mesmo vital para fazer justiça e criar referências e modelos que possam contribuir para acabar com assimetrias de género de base cultural que impeçam o florescimento de vocações. No segundo, Ana Cristina Santos faz uma série de exigências para acabar com os "enviesamentos históricos assentes na desigualdade entre mulheres e homens e na ideologia patriarcal que lhe subjaz e que se materializa em poderosos obstáculos à investigação". Essas exigências incluem "a integração de pelo menos um/a especialista na área dos Estudos de Género em painéis de avaliação de projetos e bolsas em concursos científicos". Ora bem, sendo os Estudos de Género "uma área científica interdisciplinar e autónoma que compreende os Estudos Feministas, os Estudos sobre as Mulheres e os Estudos LGBTIQ+" e tendo em conta que, entre 2000 e 2012, em todos os concursos da FCT houve mais bolsas atribuídas a mulheres do que a homens **, a única função do especialista na área de Estudos de Género nos painéis de avaliação que atribuem bolsas será a promoção da sua área de especialidade, pois o acesso das mulheres às bolsas já está assegurado pelo seu maior mérito científico. Por outras palavras, os Estudos de Género surgem em Portugal numa altura em que as mulheres, no decurso de uma evolução lenta e contínua que nada deve a quotas ou outras formas de engenharia social acelerada, têm uma posição cada vez mais forte na academia, já hegemónica ao nível da população estudantil do ensino superior e entre os doutorandos, e que em breve estará reflectida também nos níveis mais altos da academia (entre investigadores, professores universitários, reitores e directores de institutos) - aliás, provavelmente isso já se verifica em muitas áreas das ciências e das humanidades. Para que nos entendamos: nada tenho contra os Estudos de Género e friso a minha concordância com o texto de Filipa Lowdes Vicente, mas convém lembrar que a vitalidade crescente dos Estudos de Género prova que a academia e as instituições que a financiam são muito menos patriarcais que o resto da sociedade que os Estudos de Género elegem como objecto de estudo. Assim, Ana Cristina Santos usa o feminismo como caixa de ressonância para as suas exigências corporativas e pode ser que resulte entre os leitores do Público, mas ecoa mal nos corredores da academia.

* Declaração de interesses: não me podendo considerar seu amigo, conheço a Filipa e temos amigos comuns. 

** Desconheço números mais recentes mas ficaria surpreendido se esta tendência não se continue a verificar. 

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