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Um diário trasladado

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25
Abr17

Estará a crítica de rastos?


Eremita

Tudo mudou muito. O mundo mudou muito, não só em relação à edição de livros. Mas publica-se hoje muito mais. Há mais variedade e isso também no que toca à qualidade. Quanto à receção: a crítica está de rastos, mas a verdade é que neste país nunca foi portentosa. Neste país a literatura sempre foi 100 pessoas a escreverem para as mesmas 100. Não sei se isso se terá alterado muito. Rosa Oliveira, Observador

 

É uma reflexão habitual, creio que já escrevi algo parecido no Ouriquense e não me canso de recomendar o outsider Homem à Janela como exemplo de crítica sem concessões. Mas leiam esta crítica ao último livro de Gonçalo M. Tavares e tentem fazer melhor. 

 

A lógica de conclusão absurda influencia, além da ideia fundamental dos romances, as personagens, o estilo e (menos) o enredo [refere-se a Gonçalo M. Tavares]. A força da lógica torna passivas as personagens, torna-as autómatos obedientes aos desmandos do raciocínio. Falta-lhes, em suma, uma característica humana que passa por resistir à lógica quando ela contraria os nossos interesses. Aquilo que é identificado pelo autor no plano fundamental – a lógica pode dar conclusões contrárias e absurdas – não é cumprido no que toca às personagens – o nexo entre lógica e acção é imediato, se o raciocínio dita, a personagem obedece. Este apelo da lógica dá também à linguagem uma pátina lacónica, jansenista, própria da sobriedade matemática. Só com um verdadeiro talento é possível fazer literatura da linguagem anti-literária; só com uma invulgar segurança é possível criar um estilo a partir da linguagem mais vulgar, sem recurso a tinetas linguísticas próprias; Gonçalo M. Tavares conseguiu criar o estilo a partir da falta dele. E se isto por um lado impressiona, por outro pode criar um problema. Carlos Maria Bobone, Observador

 

Cheguei aos dois links a partir de um post lido n'O elogio da Derrota.

 

 

 

 

 

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