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Um diário trasladado

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30
Abr17

César das Neves vintage


Eremita

Que Nossa Senhora esteve realmente em Fátima sabemo-lo com segurança desde 1930, quando a autoridade competente, o senhor bispo de Leiria, decidiu "declarar como dignas de crédito as visões das crianças na Cova da Iria, freguesia de Fátima, desta diocese, nos dias 13 de maio a outubro de 1917" (carta pastoral de D. José Correia da Silva de 13 de Outubro de 1930). Sobre isto, para os verdadeiros fiéis, não devem restar dúvidas.(...)

 

O padre Borges afirma: "Posso ser um bom católico e não acreditar em Fátima porque não é um dogma", o que é verdade. Mas esquece-se de acrescentar que, depois de tudo o que a Igreja tem afirmado e estabelecido acerca desse fenómeno, o tal "bom católico" teria de ter razões muito fortes e especiais para poder negar aquilo que aconteceu. Um fiel que se limite aos dogmas dificilmente consegue amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

 

O senhor D. Carlos, por quem tenho grande respeito e admiração, admite o uso da expressão "visão imaginativa" da pergunta da jornalista, mas sem o cuidado de explicar a diferença entre "imaginativa" e "imaginária". Aquilo que aconteceu foi que as crianças viram imagens, tiveram uma "visão imaginativa", o que não significa que imaginaram aquilo que viram, o que seria uma "visão imaginária". Esta explicação teria sido muito oportuna e importante.

 

Também não ajuda nada dizer: "Há muitos fenómenos de visões. Nós, párocos, conhecemos sempre alguém que nos vem dizer que tem visões. Estes fenómenos são naturais." Isso, mais uma vez, é verdade, mas certamente que não pretende concluir que aquilo que aconteceu em Fátima foi equivalente a uma experiência mística de um paroquiano ou sequer um fenómeno natural. Senão, de onde viriam o milagre do sol, as curas inexplicáveis, as visitas papais e as canonizações?

 

Nestas entrevistas, e certamente mais vezes nos próximos dias, acontece aquilo que tem sido comum no fenómeno de Fátima desde o princípio: os especialistas tropeçam repetidamente nos obstáculos que eles mesmos criam, enquanto o povo simples e humilde vai directamente ao essencial, sem ligar às teorias. O essencial é que Nossa Senhora esteve e falou em Fátima. Tudo o resto nem precisa de ser dito, porque o povo, mesmo sem conhecer detalhes, sabe bem aquilo que Ela é e quer.

 

Esta situação, afinal, é uma realidade profundamente evangélica. O Senhor Jesus disse-o abertamente uma vez, quando lamentava a falta de fé das cidades privilegiadas de Corazim, Betsaida e Cafarnaum: "Eu te bendigo, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos entendidos e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque isso foi do teu agrado." (Mt 11, 25-26). João César das Neves, DN

 

Os teólogos progressistas da Igreja não perceberam que não podem ter em público uma posição sensata sobre Fátima ou então deixaram-se tomar pela sua soberba de intelectuais. Felizmente, temos um César das Neves para expor o absurdo de Fátima que outros tentam camuflar.

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