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OURIQ

Um diário trasladado

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20
Fev20

Do critério da morte terrível ao da vida terrível


Eremita

Parte desta tragédia resulta de muita gente julgar que pensa pela própria cabeça e não é influenciável. "Good night, and good luck".  

Não são 20 anos de experiência mas 35: a nossa primeira decisão governamental para tolerar e regular a eutanásia remonta a 1985. A maioria de nós no início dos anos 2000 pensou que a melhoria dos cuidados em final de vida (cuidados paliativos) iria reduzir a necessidade de eutanásia, mas aconteceu o contrário, os números triplicaram. Além disso, as razões para ter a eutanásia expandiram-se. No início era para doenças terminais. Agora cada vez mais diz respeito a doentes com uma esperança de vida de anos, alguns de décadas. A eutanásia passou de um último recurso para prevenir uma morte terrível para um último recurso para prevenir uma vida terrível. E o que vemos é que a eutanásia cada vez mais colide com o dever do Governo de prevenir o suicídio. Theo Boer em entrevista ao Observador

3 comentários

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    Eremita

    21.02.20

    Eu sou ateu. O principal problema nem sequer é a rampa deslizante, entendido como o alargamento dos critérios que permitem a eutanásia, mas a sugestão social. Um tipo que se suicida com uma arma que tinha em casa agiu de acordo com a sua vontade, mas uma comunidade que não incentiva o porte de armas entre os civis previne suicídios e ninguém diz que esta comunidade é totalitária por restringir a expressão da vontade individual de dar um tiro nos miolos na sala de estar. Muitas vezes, a oportunidade cria a necessidade, que é sentida como uma manifestação de autonomia mas resulta de um condicionamento social. Por outras palavras, não sei se a aritmética utilitarista, isto é, a diferença entre as mortes boas, à "Mar Adentro", e as mortes más (por sugestão social) nos levaria a concluir que a eutanásia representa uma melhoria relativamente a um sistema em que a morte misericordiosa já vai acontecendo em segredo, isto é, minimizando a sugestão social. Para mim, esse é o único problema potencial da despenalização e não conheço nenhum estudo que responda de forma inequívoca a esta inquietação. Não há um pingo de relligiosidade nesta argumentação. Aliás, a ideia de que só motivações religiosoas justificam dúvidas quanto à eutanásia é um pouco primária, se me permites.
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    marina

    21.02.20

    Contagiam unicamente quem já anda com essas ideias na cabeça. Mais grave é o noticiar constante de violações e pedofilia , cria ideias negras na cabeça de alguns que provavelmente nunca as teriam e lesam outras pessoas.

    Gostei muito "O Comboio da Noite" do Martin Amis , já agora. Tédio.

    e deste bocadinho do Nietzsche
    “O essencial numa boa e sã aristocracia é que esta não se sinta como função, seja de um rei ou de uma comunidade, mas último significado e a mais alta justificação deles, e que recebe de boa consciência o sacrifício de inumeráveis indivíduos, que, por causa dela, devam reduzir-se a serem homens incompletos, escravos, instrumentos. O seu credo fundamental deve resumir-se nisso, que a sociedade não deva existir pela própria sociedade, mas simplesmente como base, como alicerce, para servir de sustentáculo, de meio de elevação para uma espécie eleita de ser para que possam atingir os seus altos misteres e de modo geral, uma existência mais elevada; ao lado do cipó fixado ao solo da Ilha de Java, o cipó matador — que se prende ao carvalho para subirem acima dele e para lançar à esplêndida luz do sol a pompa de suas flores e expor então ao mundo a sua felicidade.” (NIETZSCHE. Além do bem e do mal. §258)".

    Já deveriam estar a estudar , não a eutanásia , mas o ambiente deprimente duma sociedade desenraizada e esclavagista.

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