Dijsselbloem dixit
Eremita
Como social-democrata considero a solidariedade extremamente importante. Mas quem a exige, também tem obrigações. Não posso gastar todo o meu dinheiro em álcool e mulheres e continuar a pedir ajuda. Este princípio aplica-se a nível pessoal, local, nacional e, inclusivamente, europeu.”
Querem dois bons textos a propósito das declarações de Dijsselbloem? Xilre lembra a efemeridade das ondas de indignação e rui a. recomenda menos bravado aos nossos líderes, porque quando o adversário já está no chão, todo encolhido e a proteger a cabeça com os braços, é muito fácil aplicar-lhe umas biqueiradas. Pior do que a falta de coragem, só mesmo a coragem fora de tempo. Ver os países do Sul da Europa, que foram incapazes de funcionar como uma frente unida durante a crise, a exigir agora, a uma só voz, a demissão de Dijsselbloem, só não é patético e embaraçoso para quem não tiver memória.
Aqui em Ourique, não nos indignámos, em parte porque Dijsselbloem já nos causava repulsa, até mesmo repulsa física, e porque as declarações só indignam quem estiver predisposto para as tresler. Em rigor, o homem usou mesmo a primeira pessoa quando fez a alusão às mulheres e ao álcool. É claro que se pôs a jeito, falava a um jornal alemão e não se lembrou que o rancor que os "PIGS" - o acrónimo diz tudo - têm vindo a acumular nos últimos anos não permite subtilezas de linguagem. Dijsselbloem foi politicamente inábil, mas limitou-se a dizer de nós o que Schäuble pensa, Merkel disse e Passos enfiou pela cabeça, como uma carapuça feita à medida das suas ambições.
