Ressacando Robles: o que é ser de esquerda?
Vasco M. Barreto

Ando demasiado cansado (fisicamente) e sem tempo para investir o necessário nesta questão, mas é a única que sobra do caso Robles, depois de esgotados todos os ajustes de contas e apanhadas com as pontas dos dedos lambidas as últimas migalhas deste grande festim de indignação. Não se trata de branquear Robles. Um político, sobretudo um político moralista, está sujeito a um escrutínio que não se aplica aos outros cidadãos. Não se trata também de definir o pensamento de esquerda, que está para lá de cristalizado. Sem recorrer a bengalas da História e slogans, eu diria que o pensamento de esquerda emana de um desconforto profundo com as assimetrias de berço que nos leva a defender formas de redistribuição da riqueza, entre outros privilégios de linhagem, e a encarar com algum cepticismo a meritocracia. Mas não é a ideologia que Robles nos força a confrontar, antes a prática. O que é um comportamento de esquerda, admitindo que não se deve esgotar no voto à esquerda e na defesa verbal ou escrita das ideias e partidos de esquerda? Não esqueci que o caramelo me pediu que definisse a "esquerda caviar", pois é muito provável que seja a mesma questão, apenas numa formulação mais provocatória e já com o dedo na ferida.
Continua
