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Um diário trasladado

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26
Out18

Como incendiar as redes sociais


Eremita

A vida íntima de uma pessoa pode, em qualquer momento, ser conhecida; e sendo-o, pode prejudicar a imagem de uma empresa. Assim, como exemplos: para quem pretenda lidar com valores, melhor será que não tenha cadastro e que não esteja insolvente; um homossexual não será a pessoa indicada para vigilante nocturno num internato de jovens rapazes; uma recém-casada não pode ser contratada como modelo; um alcoólico fica mal num bar, o mesmo sucedendo com um tuberculoso numa pastelaria ou com um esquizofrénico num infantário. Não vale a pena fazer apelos ao politicamente correto, nem crucificar os estudiosos que se limitem a relatar o dia-a-dia das sociedades: o Direito vive com factos e não com ideologias. António Menezes Cordeiro, professor catedrático (Público)

 

A julgar pelo dia-a-dia das sociedades e os "factos", se aplicamos a mesma lógica baseada em estereótipos, também os padres não serão as pessoas indicadas para dar aulas a crianças, mas deste exemplo tão actual o estudioso não se lembrou. Enfim, a verdade é que todos fazemos juízos probabilísticos e quem não o admitir está a ser hipócrita. Por exemplo, aqui em casa exigimos que fosse uma mulher a levar as nossas filhas à escola, seguindo exactamente a mesma lógica que o professor aplica. Suspendendo a questão de saber se o Estado está mais obrigado a assegurar a equidade do que o cidadão comum (claro que está) e ignorando a salgalhada que mistura questões de saúde pública e segurança com interesses económicos de privados, a lista de exemplos não peca por incluir uma situação de discriminação de um homossexual junto de dois outros exemplos em que discriminamos pessoas doentes, mas por não ter um exemplo equivalente de discriminação de um heterossexual (vigilante nocturno num internato de jovens raparigas), exemplo que o próprio professor acaba por mencionar durante a entrevista como válido - um detalhe que será ignorado pelas redes sociais. É claro que as omissões do professor António Menezes Cordeiro denunciam a ideologia invisível do homem branco e heterossexual, provavelmente conservador ou católico, e as ondas de choque provocadas pelas tiradas destes magistrados e académicos do Direito, de tão frequentes, começam a aborrecer. O único mérito desta citação é criar uma verdadeira experiência social. Vamos ficar a saber se nos indignamos mais com a discriminação do homossexual ou da mulher em "risco" de engravidar. A resposta não me parece óbvia, o que torna a experiência pertinente. 

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