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OURIQ

Um diário trasladado

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03
Abr18

Cancro


Eremita

Todos temos os dias contados, mas uns mais do que outros. Alguém já deve ter comparado autobiografias escritas durante uma reforma saudável com aquelas feitas no contra-relógio de uma doença terminal, mas de momento só me ocorre uma pergunta: como não se aborrecem os primeiros e como lidam os segundos com um sentido de urgência insuportavelmente intenso? 

4 comentários

  • Sem imagem de perfil

    RFC

    03.04.18

    A Invenção do Amor

    Em todas as esquinas da cidade
    nas paredes dos bares à porta dos edifícios públicos nas
    janelas dos autocarros
    mesmo naquele muro arruinado por entre anúncios de aparelhos de rádio e detergentes
    na vitrine da pequena loja onde não entra ninguém
    no átrio da estação de caminhos de ferro que foi o lar da
    nossa esperança de fuga
    um cartaz denuncia o nosso amor

    Em letras enormes do tamanho
    do medo da solidão da angústia
    um cartaz denuncia que um homem e uma mulher
    se encontraram num bar de hotel
    numa tarde de chuva
    entre zunidos de conversa
    e inventaram o amor com carácter de urgência
    deixando cair dos ombros o fardo incómodo da monotonia
    quotidiana

    [...]

    Nota. A ideia está cá, pode ter sido aqui.
  • Sem imagem de perfil

    Anónimo

    04.04.18

    Não creio efectivamente que este longo poema tenha a ver com uma autobiografia.Tem mais a ver com a leitura provável do autor do 1984 e do Ray Bradbury ,talvez mais do filme do Trufaut .Fez faísca numa mente febril e saiu isto .Acontece.
    Nelson
  • Sem imagem de perfil

    RFC

    04.04.18

    Nélson, não pretendia ser isso.

    Foi unicamente para ilustrar o que eu tinha dito segundos antes:
    «não sei se é no livrinho do Daniel Filipe, A Invenção do Amor, que há um bonito verso em que o tipo fala do sentido de urgência.»

    Supondo eu que a arqueologia desse poema nos conduza a que ele tenha sido, anteriormente, publicado numa qualquer revista literária ou assim, Eremita sabes?, o que é interessante é que esta foi a primeira vez que eu apanhei o... conceito (?) e que, para mim, ele foi usado. Conceito literário, ou poético, que é expresso no longo poema do Daniel Filipe sobre o "sentido de urgência" no amor entre dois desconhecidos (vida, doença e morte, coisas grandes!).

    E que é loucamente febril, estou de acordo (a TSF do excelentíssimo Fernando Alves recuperou-o, há anos e está online).

    Li-o, não em 1969, mas como se percebe li-o há bastantes anos e inclui também o peso da idade dos que somos os leitores.

    A INVENÇÃO DO AMOR E OUTROS POEMAS / DANIEL FILIPE

    AUTOR(ES):
    Filipe, Daniel, 1925-1964
    PUBLICAÇÃO:
    Lisboa : Presença, [D.L. 1969]
    DESCR. FÍSICA:
    88, [5] p. ; 19 cm
    COLEÇÃO:
    Forma ; 1
    CDU:
    821.134.3-1"19"

    Nota, final. Na BNP, online. Como disse e redigo, pode muito bem ter sido ali.
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