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Um diário trasladado

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16
Jun17

Agência Europeia do Medicamento em Ourique


Eremita

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Conterrâneos e outros,

 

Qual é a medida do bom senso? O selo do bom senso aparece quando, de modo tão irreprimível como uma gargalhada ou uma bufa, damos de imediato razão a quem habitualmente criticamos. Tem razão Paulo Rangel quando põe em causa a decisão da uma candidatura de Lisboa à Agência Europeia do Medicamento (AEM). Lisboa colecciona já duas agências europeias. Não há nenhuma cidade com três agências. É preciso acrescentar mais alguma coisa? Que a euforia dos lisboetas não comprometa os destinos da pátria. Mas acrescento: que o complexo de inferioridade dos portuenses não nos comprometa também. E acrescento ainda mais: esta não é uma discussão para ser liderada por colunistas presunçosos deslumbrados com a União Europeia, como o senhor Rui Tavares, autoproclamado autor da ideia de trazer a AEM para Portugal. Sejamos sérios. Portugal tem de libertar-se da polarização Lisboa-Porto e não pode ser o colunismo centralista a liderar a descentralização. Cai sobre nós, minha gente, sobre nós, o fardo de assumir a descentralização de forma simbólica, radical e até revolucionária no contexto europeu. Todas as agências europeias estão localizadas em cidades. É tempo de inverter este viés absurdo. Uma agência europeia pouco pode fazer por uma cidade com um milhão de habitantes, mas a sua instalação num burgo de pequenas dimensões seria revitalizadora para o tecido urbano e social. É tempo de pôr os interesses das localidades à frente dos interesses dos burocratas que trabalham nas agências, gente há tanto tempo a circular nos corredores do poder que se esqueceu do verdadeiro espírito de serviço público. Tentemos essa experiência! Contra Lisboa, contra Bruxelas até, mas pelos alentejanos e toda a enorme coligação silenciosa e silenciada de europeus que vivem em pequenos burgos. Meus caros, a AEM tem de vir para uma vila e essa vila será Ourique! Ao seu papel central e fundador no imaginário lusitano, Ourique junta características únicas para acolher uma instituição dedicada ao medicamento. O Baixo-Alentejo é hoje habitado por uma população idosa com particular queda para o suicídio. Haverá melhor escolha para a localização de uma agência dedicada aos remédios? Como se não bastasse, ficando Ourique a 58 km de Beja, a AEM iria finalmente transformar o aeroporto de Beja numa valência que não envergonharia a pátria. Mas a característica principal, meus amigos, é mesmo a pequenez da nossa vila. Assumamos a natureza revolucionária e confrontacional da nossa candidatura. Somos menos de 2000. A AEM iria deslocar para Ourique um número considerável de famílias que teriam um enorme impacto demográfico, arquitectónico, social e económico. De repente, Ourique passaria a vila cosmopolita, o que exigiria uma escola internacional, outras gastronomias, uma oferta cultural dinâmica, novos negócios, boas casas, quem sabe se um ringue de curling... Seríamos um caso de estudo, um exemplo incontornável para todos os movimentos descentralizadores à escala europeia e até mundial. A nossa Ourique não pode continuar exclusivamente agarrada à economia do montado. Não queremos ser apenas a capital do porco preto. Devemos também chamar a nós o desígnio de porta-estandarte de todos os deserdados da centralização europeia! Chamo-me Fausto Gomes e aprovo esta mensagem. 

 

 

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