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Ouriquense

13
Mai18

ACTA DO PRIMEIRO GRANDE PLENÁRIO OURIQUENSE EXTRAORDINÁRIO COM CARÁCTER DE URGÊNCIA

Eremita

Acta exteriora iudicant interiora secreta

 

Lonesome_Ourique.jpg

 

Ao décimo segundo dia do mês de Maio do ano dois mil e dezoito, nesta vila de Ourique, em local que será mantido secreto para atender às preocupações de natureza securitária e geo-política de um dos participantes, realizou-se uma reunião extraordinária, sob a presidência do senhor Nuno Salvação Barreto (NSB) (1, 2), achando-se presentes os ouriquenses Adriano (aka, "o homossexual instrumental", filho do Judeu), Eremita, Fausto GomesGaspar (aka "o cinéfilo" e "o rapaz do cineclube"), Ladrão de Cuecas, LuísTorpes (em representação dos entretanto falecidos) e ainda Ricardo Chibanga (em representação do universo etéreo-imagético) e o lisboeta Vasco M. Barreto, que solicitou esta reunião. Não participaram os ouriquenses Jaime (aka, "o último surfista de Ourique" e "moço de recados"), em virtude da impossibilidade de convocar com celeridade quem não tem endereço fixo nem telefone, e o Judeu (aka, "o inventor"), que se encontra fora do país, não comprometendo estas duas ausências o quórum que todos vincula às deliberações aprovadas por esta assembleia.

 

PERÍODO ANTES DA ORDEM DO DIA 

Fausto Gomes propôs um voto de louvor ao Eremita pela sua entrega abnegada ao longo de praticamente uma década na concretização e defesa do Ouriquense, tendo frisado, a título de exemplo, o notável despojamento e prova de sacrifício pessoal com que o Eremita atura em discussões intermináveis e infinitamente aborrecidas o comentador que assina com o pseudónimo Valupi. Apesar dos murmúrios de concordância que encheram a sala, NSB não formalizou o voto, alegando que a ordem de trabalhos não devia ser perturbada por "questiúnculas", e repreendeu Fausto Gomes por uma "manobra" que visava infuenciar o sentido de voto dos participantes na reunião. 

 

ORDEM DO DIA   

Seguidamente procedeu-se à apreciação do assunto único constante na Ordem do Dia, a saber: tem o cidadão Vasco M. Barreto o direito de escrever enquanto autor no Ouriquense?

 

RESUMO DIÁRIO DA TESOURARIA

Este assunto foi retirado.

 

LEGISLAÇÃO E OUTRAS PUBLICAÇÕES

Tomou esta câmara conhecimento, através de fotocópias em papel reciclado distribuídas a cada um dos seus membros, do teor:

  • Do pedido formalizado por correio electrónico enviado ao Eremita pelo cidadão Vasco M. Barreto;
  • Dos artigos do Código Penal relevantes: ARTIGOS 181.º e 182.º (Injúrias),  ARTIGO 183.º (Publicidade e calúnia), ARTIGO 185.º (Ofensa à memória de pessoa falecida), ARTIGO 192.º (Devassa da vida privada),  ARTIGO 195.º (Violação de segredo), ARTIGO 199.º (Gravações e fotografias ilícitas);
  • Da relação de parentesco entre o casal dos ouriquenses Augusto Themudo e Mello e Laura Oliveira, entretanto falecidos, e o autor do pedido, Vasco M. Barreto, respectivamente avós maternos e neto, que este alega ser razão suficiente para ter o direito de escrever no Ouriquense;
  • Da queixa de roubo de identidade de que o cidadão Vasco M. Barreto diz ter sido vítima, em que  alega que as memórias e vivências diárias relatadas pelo Eremita lhe pertencem, nomeadamente as descritas na série "Tribo", tendo apresentado fotos da sua família e também fotografias que, segundo ele, comprovam serem suas as memórias da casa de Augusto Melo e Ana Oliveira, publicadas no Ouriquense pelo Eremita;
  • Das fotografias de momentos de infância passada em Ourique (férias da Páscoa e de Natal nos anos setenta) e cópias dos documentos de identificação pessoal (cartão do cidadão e passaporte) que o cidadão Vasco M. Barreto enviou ao Eremita.

O ouriquense Eremita pediu a palavra para negar "veementemente" as acusações de roubo de identidade, alegando estarmos perante um caso de partilha de memórias e vivências diárias, não no sentido do desdobramento de personalidade, mas no quadro do direito à fixação de memória em paralelo, quando tal não viola os artigos 181, 183, 185, 192, 195 e 199 do Código Penal. Apresentou depois, como exemplo do seu cuidado em não comprometer a privacidade de ninguém, o post "A Máquina do Movimento Perpétuo", em que os rostos das duas crianças que brincam num baloiço estão fora do enquadramento.  

O ouriquense Fausto Gomes apressou-se a secundar o Eremita e argumentou que a integração de um lisboeta, ainda que neto e filho de ouriquenses, é contrária ao espírito do Ouriquense e pode  "sorver a energia vital" necessária à execução do projecto "A GRANDE OGIVA DO SUL" (1, 2, 3), que deve ser a prioridade de todos.

Ergueu-se Ricardo Chibanga, que lembrou ter lido pela primeira vez um dos textos fundadores do Ouriquense, "Ourique 1979", depois de introduzir o seu nome no Google, não podendo precisar se o encontrou no blog A Memória Inventada, do cidadão Vasco M. Barreto, mas garantindo que o episódio ocorreu em 2004 ou 2005, ou seja, seguramente dois anos antes do nascimento do Ouriquense

NSB perguntou se mais alguém queria dirigir-se à assembleia e, após prolongado silêncio, procedeu-se à votação. Previamente, NSB havia decidido sozinho que primeiro se iria decidir se o cidadão Vasco M. Barreto tem direito a ser autor no Ouriquense e só depois, em caso de aprovação, seriam discutidas todas as condicionantes. Ignorando o protesto tímido do Eremita, NSB confirmou que a votação seria de braço no ar; segundo ele, a feminização da sociedade começou com a invenção do voto secreto. 

 

Os resultados da votação foram:

Votos a favor da integração de Vasco M. Barreto: Adriano,  Gaspar LuísRicardo Chibanga e NSB.

 

Votos contra a integração de Vasco M. Barreto: Eremita e Fausto Gomes.

 

Abstenções: Ladrão de Cuecas e Torpes.

 

Conhecida a votação, NSB deu as boas vindas a Vasco M. Barreto. O Eremita pediu a seguir a palavra para manifestar a intenção de juntar  à acta uma declaração de voto de vencido, tendo em conta a contradição aparente entre o seu sentido de voto e o que vinha escrevendo sobre o assunto nos últimos dias, mas NSB opôs-se, alegando que o Eremita poderá sempre manisfestar-se no próprio blog. Procedeu-se então à discussão dos termos da participação de Vasco M. Barreto no blog. A discussão prologou-se até de madrugada (a reunião iniciou-se às 21 horas) e em tom de grande agitação, não tendo sido  possível transcrever em tempo útil todas as intervenções, pois muitas decorreram em simultâneo, numa suspreendente afronta à autoridade natural e estatutária de NSB. Os pólos da discussão foram, de um lado, Eremita e Fausto Gomes, que lutaram pela imposição de inúmeras restrições à actividade de Vasco M. Barreto enquanto blogger do Ouriquense, e Adriano e Gaspar, que lutaram para que Vasco M. Barreto tenha carta branca, sendo claro o fosso geracional entre as forças conservadoras, representadas pelos quarentões Eremita e Fausto Gomes, e a a geração mais nova, ainda na casa dos 20, representada por Adriano e Gaspar, que pugnou por uma aproximação de Ourique a Lisboa (existe uma gravação áudio que será arquivada com esta acta). Para evitar a perturbação da vida familiar, NSB acabou por se impor e fazer valer o seu voto de qualidade e até o seu veto, para que se pudesse avançar na votação das sucessivas restrições propostas. No final, decidiu-se assim:

1. O Eremita mantém-se como único criador do blog Ouriquense (proposta de: Eremita)

2. Ao Eremita pertencem todos os textos assinados em seu nome no blog até 12 de Maio de 2018 e todos os textos que assinar no futuro (proposta de: Eremita). O mesmo se aplica a Fausto Gomes (proposta de: Fausto Gomes);

3. Para prevenir atritos, ao Judeu é atribuído (in absentia) o direito a assinar como autor do Ouriquense, se assim o desejar (proposta de: NSB);

4. Ao Eremita pertencem todas as séries entretanto iniciadas (proposta de: Eremita);

5. Vasco M. Barreto não está autorizado a escrever sobre a sua vida privada, nem a comentar os escritos desses âmbito já alojados no blog ou que venham a surgir assinados pelo Eremita. Para todos os efeitos, o registo autobiográfico do cidadão Vasco M. Barreto pertence ao Eremita, excepto os episódios associados à actividade profissional de Vasco M. Barreto (proposta de: Eremita);

6. O Eremita abdica de escrever sobre a actualidade política, passando esse pelouro para Vasco M. Barreto (proposta de: Eremita);

7. Qualquer nova série criada pelo Eremita implica a produção de uma ronda de posts por todas as séries entretanto por ele criadas, como forma de limitar a criação de séries e forçar a conclusão das séries entretanto iniciadas (proposta de: NSB);

8. Vasco M. Barreto está autorizado a escrever sobre política, mas não sobre política local a sul do Tejo. Em cirscunstâncias especiais, Fausto Gomes poderá autorizar escritos de Vasco M. Barreto sobre política local, desde que contribuam para a concretização do projecto A GRANDE OGIVA DO SUL (proposta de: Fausto Gomes);

9. Vasco M. Barreto está proibido de utilizar o Ouriquense para se promover enquanto profissional do seu principal ramo de actividade, apenas sendo possível referências a intervenções suas na imprensa ou publicações não directamente associadas à sua produção académica habitualmente sujeita a revisão por pares. Qualquer link ou alusão directa à sua instituição de trabalho é motivo suficiente para irradiação definitiva de Vasco M. Barreto do blog(única proposta conjunta de: Eremita e (proposta de: Eremita Vasco M. Barreto; única proposta aprovada por unanimidade);

10. Vasco M. Barreto está proibido de lançar a dúvida sobre a exequibilidade da máquina do movimento perpétuo (proposta de: Adriano);

11. Vasco M. Barreto jura colocar os interesses da vila de Ourique à frente do interesse nacional, pelo menos quando escreve no Ouriquense (proposta de: Fausto Gomes);

12. Todas estas decisões são válidas durante um ano. Daqui a um ano, após nova apreciação, as decisões então aprovadas tornam-se definitivas (proposta de: NSB).

Refira-se, uma vez mais, que a ausência de consenso para grande parte das propostas levou NSB a aprová-las por atacado, ameaçando todos com o seu poder de veto e o insurrrecto Fausto Gomes com a sua envergadura. 

 

ENCERRAMENTO 

E tendo sido considerados findos os trabalhos, pelas três horas e vinte minutos da madrugada do dia treze de Maio de dois mil e dezoito, foi a reunião encerrada, lavrando-se para constar a presente acta, que vai ser assinada pelo senhor NSB e por mim, Adriano, sendo a sua publicação no Ouriquense no prazo de 24 horas exigida ao Eremita, sob pena de perda dos seus direitos de autor do blog.

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