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OURIQ

Um diário trasladado

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03
Set16

Abrindo o livro genealógico português de suínos


Eremita

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Ainda mal refeito do telefonema em que fui informado de que há uma vegan na família (alargada), leio que o porco preto alentejano é exportado para ficar com selo de origem espanhola. O Ouriquense é um blog apolítico ou vagamente niilista, mas não deixa de defender um conjunto de princípios, medidas e acções, incluindo a liberdade, a laicidade e a república, um ateísmo ecuménico e exclusivamente reactivo, a meritocracia, a redistribuição para minorar as desigualdades sociais de berço, a propriedade privada com pesados impostos sobre o capital, os imóveis, a terra, o luxo e as heranças, uma medicina baseada na evidência científica, todo o tipo de humor sobre a homeopatia e demais patranhas, o incentivo constante mas discreto da natalidade, o direito a uma dieta omnívora sem implicar crueldade na hora da morte que dará sentido à vida dos animais domesticados, a promoção da figura paterna em séries de televisão de grande audiência, o ensino de versões dos clássicos da literatura na instrução primária concertado com a queima no Terreiro do Paço de toda a literatura infantil de autores vivos (que seriam poupados), a igualdade de género segundo a máxima anarco-comunista "de cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades", a proibição de outdoors com imagens de criaturas sexualmente apelativas virados para estradas, bem como a de anúncios radiofónicos com buzinadelas, e um serviço público de televisão obstinadamente elitista, em que a actual RTP2 substituiria a RTP1 e uma nova RTP2 passaria em horário nobre todo o cinema da colecção Criterion legendado por Maria Velho da Costa, já para não falar num europeísmo anti-federalista e, naturalmente, na identidade nacional. O porco preto alentejano, com o sobreiro, a Laurissilva e os registos audiovisuais deixados pelo saudoso Vítor Silva Tavares, bem como algumas peças do Museu Nacional de Arte Antiga e também as manifestações culturais e o património arquitectónico que receberam ou procuram o selo de qualidade da UNESCO, ou até a Via Verde e - porque não? - verbos especialíssimos que, depois de Agustina Bessa Luís, ninguém mais voltou a conjugar com tanta economia de linguagem... enfim, o porco preto alentejano, dizia, é parte da nossa identidade nacional. 

 

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