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OURIQ

Um diário trasladado

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30
Set18

A inércia da tradição


Eremita

Oito anos depois de defender a audição de livros, continuo na defensiva. O meu método evoluiu. Agora repito de imediato a audição de um capítulo e admito até uma terceira escuta antes de avançar. Estando reunidas as condições necessárias, conjugo em simultâneo a audição e a leitura, mas não abdico de ouvir apenas, pois é a melhor forma de rentabilizar o tempo investido em tarefas monótonas como correr, lavar a loiça ou conduzir numa auto-estrada. Tenho estado a ouvir Ada and Ardor, de Nabokov, e a experiência é viciante. Uma verdadeira escuta, sobretudo de obras complexas na língua original  e com abundância de longas orações subordinadas, exige mais concentração do que a leitura - disso tenho absoluta certeza e só dirá o contrário quem nunca experimentou ouvir um livro. Isto deveria bastar para acabar com esta síndrome do impostor e este problema de consciência, mas há algo mais que ainda não consegui identificar. Talvez seja a inércia da tradição. 

4 comentários

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    Eremita

    01.10.18

    Sim, já me disseram isso muitas vezes. Confundes literatura com leitura, mas nem a mim este argumento me convence.

  • Sem imagem de perfil

    caramelo

    01.10.18

    Como assim, confundo literatura com leitura? Isso é a mesma coisa que me dizeres que confundo a comida com a língua. Olha, giro era um dia os garçons começarem a recitar os sabores da comida. Um deles provava e ia dizer aos clientes. Et maintenant, messieurs dames, regardez bien cette ratatouille, et vous serez transportée à votre douce infance en Provence. Poupa-se imenso. Para as gravações, também basta um livro, né?
  • Imagem de perfil

    Eremita

    02.10.18

    Insistes na confusão. O exemplo que dás exige capacidades sinestésicas inimagináveis. Mas ouvir ou ler são apenas duas formas possíveis de contactar com um texto (a terceira é pelo tacto). O que importa é o texto, não a imagem do texto na página nem o conjunto de sons produzido por quem lê o texto. A única diferença é a interpretação do actor que lê o texto, que nas partes em discurso directo se afasta muito da voz interior que a nossa leitura produz, mas nas partes narradas não há grande diferença. Aliás, surge um fenómeno curioso, que é a adaptação do ouvinte à voz do actor, como se se apropriasse dela, pois a escuta vai ficando cada vez mais natural. É uma experiência diferente da leitura silenciosa, mas talvez não seja melhor nem pior, sobretudo se quem ouve for rigoroso e admitir que por vezes não basta um única escuta para apreender o capítulo (depende da complexidade do texto). A vantagem prática é o tempo que se ganha. Em vez de ouvir no carro os patetas das manhãs da Rádio Comercial, podemos ouvir Nabokov lido pela voz sublime do Jeremy Irons (uma edição da Lolita). Soa-me a progresso.
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