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Um diário trasladado

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13
Ago20

A falsa equivalência entre a violência dos extremistas em Portugal


Vasco M. Barreto

Reconheça-se a José Manuel Fernandes a virtude de ir variando nas falácias. Depois de nos brindar com uma acusação por associação, deu-nos hoje uma falsa equivalência. Sabendo que o tema era a ameaça de um novo grupelho de extrema-direita a activistas e deputadas de esquerda, comecei a ouvi-lo fazendo o jogo de antecipar quando iria aparecer o "mas". E o "mas" apareceu, claro. Ouçam também, pois é impressionante que o publisher tenha dito o que disse. Tão impressionante que não renovarei a minha assinatura anual do Observador. Outro comentário extraordinário na condescendência e nas prioridades é o de Camilo Lourenço, mas com o Camilo nunca gastei um cêntimo, só lhe dou visualizações. 

Depois do desaparecimento das FP-25, quem estabelecer uma equivalência entre os movimentos extremistas de esquerda e direita em Portugal só pode estar a delirar. A extrema-direita já matou em Portugal. Em 1991, esfaqueou fatalmente José Carvalho, militante e dirigente do PSR. Em 1995, pontapeou até à morte Alcindo Monteiro. Se não matou mais, foi por não ter calhado, porque agressões a negros, comunistas e homossexuais fazem parte dos seus rituais de iniciação. Quando não estão a espancar alguém, dedicam-se ao tráfico de droga, tráfico de armas e a outros crimes. Como pode alguém estabelecer uma equivalência entre a violência e marginalidade desta gente e a violência dos extremistas de esquerda? Nos últimos trinta anos, a violência da extrema-esquerda resume-se à ocupação de imóveis devolutos e destruição de campos de milho transgénico. Sim, bem sei que a propriedade privada é sacrossanta para alguns e estas acções serão os verdadeiros crimes de ódio (contra o capitalismo) que talvez justifiquem a reposição da pena de morte. Mas como JMF ainda não chegou a tal estado de alucinação, não encontrou exemplos de violência de extremistas de esquerda em Portugal e teve de lembrar o cartaz em que um pateta escreveu que um polícia bom é um polícia morto, esquecendo-se o publisher momentaneamente do words are not actions, um mantra que também lhe deve ser muito caro e já terá usado para criticar o politicamente correcto.

Francamente, critiquem a eventual tendência para a vitimização do SOS racismo, irritem-se com as acusações de Mamadou Ba, banhem-se na ilusão da hegemonia cultural de esquerda se for essencial para as vossas fantasias de heroísmo e continuem até a levar o Chega ao colo, mas, sobretudo em Portugal, fazer equivaler descaradamente a violência e criminalidade dos Hammerskins/Nova Ordem de Avis à dos activistas de esquerda é ultrapassar o limite da decência.

 

 

 

 

 

 

 

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