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Um diário trasladado

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26
Jan18

A crítica como apontamento


Eremita

Hoje na Sábado escrevo sobre O Reino, de Gonçalo M. Tavares (n. 1970). Entre os novos, ou seja, entre autores com menos de 50 anos, o autor distingue-se pela produção torrencial: somando romance, poesia, teatro e outro tipo de narrativas, algumas de natureza ensaísta, são 36 títulos em 16 anos. Agora, para assinalar o 10.º aniversário do fim da tetralogia O Reino, foram publicados em volume único os denominados romances: Um Homem: Klaus Klump / A Máquina de Joseph Walser / Jerusalém / Aprender a rezar na Era da Técnica. O mais recente, Aprender a rezar na Era da Técnica, foi o que suscitou maior empatia junto da crítica e do público. Dispensar preliminares e abrir com uma cena de sexo é um teaser infalível: «E o adolescente Lenz, determinado, avançou sobre a criadita.» Em adulto terá outra desenvoltura, como ilustrado na cena de sodomia (ou será apenas na posição de cachorro?). Como da primeira vez, o acto é presenciado: ali pelo pai, aqui por um vagabundo. Continuamos a falar de sexo. O resto é metafísica, mais ou menos germânica, área em que Tavares encontrou o seu nicho de eleição. Isso também o destaca da produção dominante. Quatro estrelas. Publicou a Caminho. Eduardo Pitta

 

Os comentários sobre livros que Eduardo Pitta publica no seu blog estão mais próximos das generalidades com que os comentadores de largo espectro apresentam livros nos seus espaços de opinião na televisão do que da crítica literária. Não falta a Pitta oficina enquanto escritor (é dele um dos melhores contos que li nos últimos anos), nem ambição como crítico, mas há pouca reflexão nestes seus comentários rematados a estrelinhas, talvez por uma combinação de falta de tempo (ou pachorra) com uma grelha interpretativa rígida. Para Pitta, parece que a qualidade da literatura assenta exclusivamente na frontalidade com que são descritas cenas de sexo e numa prosa depurada de adjectivos e sem lirismo sentimentalóide. Quando, sobre Gonçalo M. Tavares, se concentra o comentário em cenas de sexo e se remata depois com "o resto é metafísica", há um efeito de humor involuntário, mas que vale sobretudo como admissão de que se recusa a crítica. Sobra uma vantagem: se é para escrever banalidades sobre Gonçalo M. Tavares, o leitor não chega a ficar ensimesmado com a hipótese de  Eduardo Pitta não ter lido os quatro romances da tetralogia O Reino

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