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16
Jun20

A COVID-19 e o negacionismo de Henrique Pereira dos Santos (1)


Eremita

 

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Intróito

Na longa série de textos sobre a COVID-19 que Henrique Pereira dos Santos (HPS) começou a publicar no blog Corta-Fitas a 12 Março de 2020 encontramos um exemplo notável de pensamento negacionista. Como o autor ficou muito melindrado com este epítopo e nos últimos meses ganhou o hábito de me acusar de ser mentiroso, sinto-me na obrigação de defender a minha posição e arrumar este assunto de vez. Ao fazê-lo, suspeito que darei a HPS mais um pretexto para se queixar de um "ataque pessoal" e temo atrair para aqui os latidos da matilha de machos beta que rodeiam HPS e me consideram um "psicopata", entre outros mimos, mas não sobra outra alternativa. Para evitar um equívoco que tem sido recorrente, friso que não criticarei as teses libertárias de HPS, nem as suas especulações sobre o impacto do confinamento na economia e qual teria sido a melhor estratégia para lidar com a epidemia. Há  prosa muito estimulante, como as várias reacções ao hoje famoso texto “Lo stato d’eccezione provocato da un’emergenza immotivata” publicado por Giorgio Agamben  a 26 de Fevereiro (1, 2, 3, 4), mas não é o que pretendo discutir. Espero que fique claro que eventuais reacções alarmistas da população, dos media e do Estado quanto à COVID-19, e até uma eventual evidência de que se morre mais da cura do que da doença, ainda que muito mais cativantes como tópicos de discussão para 99% das pessoas do que o rigor científico e o respeito pela verdade no espaço público, são irrelevantes para avaliar a qualidade e honestidade dos textos de HPS sobre epidemiologia. Excluir estas suas legítimas e porventura até sensatas teses da crítica que apresentarei não significa que o liberalismo seja irrelevante para o negacionismo que conto provar. Suspeito até que essa sensibilidade foi determinante para a visão cavernícola de HPS sobre epidemiologia e para a sua desonestidade reiterada, levando-o num primeiro instante a diminuir tanto a gravidade da pandemia como a relevância das medidas não-farmacológicas extremas e, num segundo tempo, a negar constantemente a evidência. Mas é mesmo apenas a negação da evidência que me interessa e não as suas causas. Se recorrerei a algumas interpretações de foro psicológico será apenas para qualificar e justificar a descrição de "negacionista" que tanto incomodou HPS. E para prevenir outro equívoco que consigo antecipar, não está também em causa o currículo de HPS, nem o seu direito a aventurar-se em áreas do conhecimento fora da sua formação académica. Sou biólogo mas não me sinto na obrigação de defender uma suposta coutada dos biólogos. O que conta é a substância da contribuição, não o título académico. De resto, entre muitos dos pioneiros da Biologia Molecular do século XX que admiro, durante aquele período que, de Aristóteles até aos nossos dias, foi provavelmente o período mais importante de toda a história da disciplina, estão vários físicos que de início nada sabiam de biologia. O problema de HPS na sua aventura pela Biologia é que, após três meses, ainda parece saber menos agora do que o pouco que no início demonstrava saber. Não encontro nos textos de HPS nenhum desejo de chegar à verdade, nem sequer a chama da curiosidade que possibilitou a civilização, apenas manipulações para consolidar convicções. Feitas as ressalvas, só me resta avisar que a prosa seguinte é muito longa, muitíssimo aborrecida e que foi uma frustração perceber o tempo que este assunto me tomou. 

Amanhã há mais. O texto só precisa de uns retoques finais, mas ficou tão extenso que só faz sentido publicá-lo num blog se for às mijinhas.

 

 

 

2 comentários

  • A ignorância é muito atrevida.
    Essa expressão, que até uso pouco, é vulgaríssima em algumas regiões do país e está em qualquer dicionário que se preze como uma expressão perfeitamente correcta.
  • Comentar:

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