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13
Abr20

A COVID-19 e a imunidade de grupo


Eremita

A propósito de um simples estudo para uma povoação alemã que estimou em 14% a percentagem de pessoas já com anticorpos contra o SARS-CoV-2, o gabinente de crise aqui em Ourique resolveu partilhar o seguinte comunicado:

1. 14% de imunizados para a COVID-19 é uma percentagem válida apenas para a povoação alemã onde o estudo foi realizado. Seria grosseiro generalizar essa percentagem pois nas fases iniciais de uma pandemia haverá sempre grandes assimetrias regionais. Não é difícil percebê-lo. Se uma povoação recebeu um visitante infectado muito antes de o primeiro visitante infectado ter entrado noutra povoação, as duas povoações vão diferir muito na percentagem de imunizados, pelo menos enquanto essa percentagem for baixa na segunda população. Há muito tempo que estes fenómenos são estudados. Na área da evolução há inclusive terminologia própria, como o "efeito fundador". 

2. Mesmo que 14% fosse generalizável para o planeta, não é suficiente para assegurar a imunidade de grupo. Ninguém sabe ao certo qual o R0 do SARS-CoV-2. As estimativas variam entre 1.5 e 5.5 e são muito incertas. Mas aplicando uma equação simples usando estas estimativas (sem qualquer propagação de erro), conclui-se que a percentagem que assegurará imunidade de grupo numa sociedade normalizada (sem  o confinamento social extremo em que temos vivido) estará entre 33% e 82%  -  a maior parte dos especialistas recomendará provavelmente os 82%.

3. Resta então apenas saber se a percentagem média de imunizados no mundo é inferior ou superior a 14%. Uma estimativa sugere que a percentagem média será 9% e que em Portugal, a 31 de Março, 2% da população estaria imunizada. Outra estimativa diz que teremos 5 vezes mais casos do que aqueles diagnosticados, ou seja, em vez dos 16 934 (a 13 de Abril), serão 85 mil (o que dá 0,8% da população)*.  Estamos pois a milhas da imunidade de grupo. É uma conclusão importante por nos dizer que a dinâmica de progressão da doença está sobretudo a ser regida pelas medidas de confinamento social que alteram o R0. Até haver uma estimativa mais credível, qualquer sugestão e insistência na ideia de que o confinamento social não abrandou esta pandemia e assistimos apenas à evolução natural de uma doença infecciosa das vias respiratórias só pode ser feita por ignorantes, conspiracionistas, libertários enfadados, gente que se julga especial, burros ou malucos**.

* Estes dados confirmam a impressão generalizada de que a estimativa de 2% de mortalidade é exagerada. A mortalidade será de 0,25-0,8%. A gripe sazonal mata 0,13% (dados do CDC).

** PS: Há vários outros argumentos para desmontar a tese alucinada de que não ter feito nada ou mandar toda a gente para casa teria dado o mesmo resultado: 1) a travagem abrupta da epidemia na China e Coreia do Sul (países que aplicaram medidas extremas de confinamento e/ou monitorização) versus a progressão da doença ena Itália e Espanha (países que tiveram uma reacção inicial relaxada); 2) a evolução do número de mortos na Suécia (que pratica um confinamento social soft) versus os seus países vizinhos; 3) a distribuição das curvas, que se afasta da gaussiana da progressão natural das epidemias (quando a estratégia é não fazer nada); 4) qualquer manual de epidemiologia. 5) o que se sabe há centenas de anos sobre quarentenas; 6) noções elementares de Fisica, Matemática e Biologia.

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