A autofelação de Pedro Santos Guerreiro
Eremita
Mesmo que ponha em causa poderes instalados - sobretudo se põe em causa poderes instalados -, continuaremos inquietos e a inquietar. Mesmo que encolham os ombros, nós mexemos os braços. Pedro Santos Guerreiro, Expresso.
Pedro Santos Guerreiro (PSG) resolveu elogiar o jornalismo de investigação do Expresso sobre as falcatruas financeiras dos famosos e poderosos. É o que por vezes se pede a um líder, para motivar a sua equipa, e aplaudo o jornalismo de investigação. O problema é o estilo. PSG não resiste a transfomar a realidade numa série de Aaron Sorkin; algures a meio das suas crónicas, o leitor começa a ouvir uma banda sonora. Desta vez, carregando sobre moinhos de vento, PSG quase faz do jornalismo do Expresso uma actividade tão admirável como investigar a Camorra ou o narcotráfico mexicano. Ora, salvo erro, não há no Expresso nenhum jornalista com a coragem algo suicida de Roberto Saviano. Até porque Roberto Saviano não entra em nenhuma série da HBO.
