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OURIQ

Um diário trasladado

OURIQ

Um diário trasladado

10
Jun10

Cordame


Eremita

 

 

 

 

Sempre que fala de cordame, Moby Dick torna-se profundamente existencialista. Os cabos, as cordas, as guitas, o barbante, os baraços, o fio de Ariadne - por amor de Deus! - marcam presença na grande literatura. Mas importa frisar que as passagens sobre o cabo que agarra o arpão são das mais sublimes. O filme faz justiça ao livro, pois numa das cenas há um close up do desenrolar da espiral concêntrica desenhada pelo cabo cuidadosamente arrumado num balde ( 1' 58'', neste trailer).

 

 

Thus the whale-line folds the whole boat in its complicated coils, twisting and writhing around it in almost every direction. All the oarsmen are involved in its perilous contortions; so that to the timid eye of the landsman, they seem as Indian jugglers, with the deadliest snakes sportively festooning their limbs. Nor can any son of mortal woman, for the first time, seat himself amid those hempen intricacies, and while straining his utmost at the oar, bethink him that at any unknown instant the harpoon may be darted, and all these horrible contortions be put in play like ringed lightnings; he cannot be thus circumstanced without a shudder that makes the very marrow in his bones to quiver in him like a shaken jelly. Yet habit--strange thing! what cannot habit accomplish?--Gayer sallies, more merry mirth, better jokes, and brighter repartees, you never heard over your mahogany, than you will hear over the half-inch white cedar of the whale-boat, when thus hung in hangman's nooses; and, like the six burghers of Calais before King Edward, the six men composing the crew pull into the jaws of death, with a halter around every neck, as you may say.

 

Perhaps a very little thought will now enable you to account for those repeated whaling disasters--some few of which are casually chronicled--of this man or that man being taken out of the boat by the line, and lost. For, when the line is darting out, to be seated then in the boat, is like being seated in the midst of the manifold whizzings of a steam-engine in full play, when every flying beam, and shaft, and wheel, is grazing you. It is worse; for you cannot sit motionless in the heart of these perils, because the boat is rocking like a cradle, and you are pitched one way and the other, without the slightest warning; and only by a certain self-adjusting buoyancy and simultaneousness of volition and action, can you escape being made a Mazeppa of, and run away with where the all-seeing sun himself could never pierce you out.

 

Again: as the profound calm which only apparently precedes and prophesies of the storm, is perhaps more awful than the storm itself; for, indeed, the calm is but the wrapper and envelope of the storm; and contains it in itself, as the seemingly harmless rifle holds the fatal powder, and the ball, and the explosion; so the graceful repose of the line, as it silently serpentines about the oarsmen before being brought into actual play--this is a thing which carries more of true terror than any other aspect of this dangerous affair. But why say more? All men live enveloped in whale-lines. All are born with halters round their necks; but it is only when caught in the swift, sudden turn of death, that mortals realize the silent, subtle, ever-present perils of life. And if you be a philosopher, though seated in the whale-boat, you would not at heart feel one whit more of terror, than though seated before your evening fire with a poker, and not a harpoon, by your side. Capítulo 60

 

 


28
Mar10

Animismo


Eremita

 

A estatística de suicídios em território nacional diz-nos que não é fácil viver no Alentejo. Mas também não é fácil ler no Alentejo; ler a céu aberto, bem entendido, no montado ou na margem direita do Guadiana. As amplitudes térmicas são más para o papel e o sobreiro é uma árvore que não evoluiu para proteger ninguém da chuva, muito menos um clássico da literatura russa com encadernação de cabedal - antes ler no Minho, apesar de aí chover mais, porque o castanheiro é uma árvore frondosa. Sim, os leitores mais atentos lembrar-se-ão que elegi o solitário plátano para local de leitura, mas tento andado a experimentar outros lugares. Isto explica o problema com que me debato actualmente. Se entre as páginas 150 e 200 levantei - interiormente - a hipótese de não resistir à leitura de Moby Dick, a partir da página 200 senti uma dinâmica de vitória e comecei a temer que será Moby Dick, o livro, que não me resistirá. São já várias as páginas que se soltaram, apresentando nas margens as marcas dessa insubordinação. Curiosamente, são todas páginas lidas e é impossível não ver este incidente, explicável pelo clima, o meu desmazelo e a má qualidade da cola usada pela Wordsworth Classics, como um símbolo da caducidade da memória de um leitor. Talvez por isso, hoje, ao acordar, creio que ainda havia vestígios na minha cabeça de um sonho em que o livro tinha perdido todas as páginas, excepto a última, cuja leitura eu terminava. Depois de o ter pousado, este objecto desprovido de inércia foi arrastado por uma brisa de ar e, apesar de ser matéria sonhada, a capa e contracapa não começaram a bater como asas, talvez porque entretanto a última página também se tivesse destacado e livro sem páginas é como pássaro sem quilha. Foi rastejando pelo chão, aos trambolhões, aqui e ali retardado pela vegetação, que o livro se aproximou da ribeira, sem qualquer elegância, mas com a convicção de quem vai sempre na mesma direcção por mais intransponíveis que sejam os obstáculos. Naturalmente, pensei que Ahab se alojara nos veios da lombada quebrada, antes da debandada geral, e que da ribeira contava chegar ao Sado e fazer-se de novo ao mar. Experimentei algum ânimo neste animismo, mas assim como quem chega ao jogo de palavras pelos conceitos e não ao contrário, o que redime o trocadilho.

 

16
Fev10

Escrever


Eremita


 

There are certain queer times and occasions in this strange mixed affair we call life when a man takes this whole universe for a vast practical joke, though the wit thereof he but dimly discerns, and more than suspects that the joke is at nobody's expense but his own. However, nothing dispirits, and nothing seems worth while disputing. He bolts down all events, all creeds, and beliefs, and persuasions, all hard things visible and invisible, never mind how knobby; as an ostrich of potent digestion gobbles down bullets and gun flints. And as for small difficulties and worryings, prospects of sudden disaster, peril of life and limb; all these, and death itself, seem to him only sly, good-natured hits, and jolly punches in the side bestowed by the unseen and unaccountable old joker. That odd sort of wayward mood I am speaking of, comes over a man only in some time of extreme tribulation; it comes in the very midst of his earnestness, so that what just before might have seemed to him a thing most momentous, now seems but a part of the general joke. There is nothing like the perils of whaling to breed this free and easy sort of genial, desperado philosophy; and with it I now regarded this whole voyage of the Pequod, and the great White Whale its object. The Hyena, cap. 49

01
Fev10

Disciplina, disciplina


Eremita

 

 

Small reason was there to doubt, then, that ever since that almost fatal encounter, Ahab had cherished a wild vindictiveness against the whale, all the more fell for that in his frantic morbidness he at last came to identify with him, not only all his bodily woes, but all his intellectual and spiritual exasperations. The White Whale swam before him as the monomaniac incarnation of all those malicious agencies which some deep men feel eating in them, till they are left living on with half a heart and half a lung. That intangible malignity which has been from the beginning; to whose dominion even the modern Christians ascribe one-half of the worlds; which the ancient Ophites of the east reverenced in their statue devil;--Ahab did not fall down and worship it like them; but deliriously transferring its idea to the abhorred white whale, he pitted himself, all mutilated, against it. All that most maddens and torments; all that stirs up the lees of things; all truth with malice in it; all that cracks the sinews and cakes the brain; all the subtle demonisms of life and thought; all evil, to crazy Ahab, were visibly personified, and made practically assailable in Moby Dick. He piled upon the whale's white hump the sum of all the general rage and hate felt by his whole race from Adam down; and then, as if his chest had been a mortar, he burst his hot heart's shell upon it. Cap. 41

 

Só ainda cobri um terço, mas chega para concluir que este livro tem registos múltiplos. Pode ser um tratado de mamíferos marinhos (Cetology), um guião de musical (First Night Watch), um ensaio sobre a cor (The whiteness of the whale) ou um naco de história trágico-marítima (Affidavit).  Só o autodidacta que Melville foi pode escrever assim, pois associa uma curiosidade de largo espectro à liberdade da ausência de autoridade. Menos fácil de entender é a citação supracitada (do capítulo 41, intitulado Moby Dick). Com excessiva clareza, Melville explica ao leitor a obsessão de Ahab - é o momento companion guide. Mas esta passagem talvez não seja um deslize do romancista, se vingar  a tese  de que a carne de Moby Dick é uma quimera de registos e o seu esqueleto pura literatura para rapazes. O escritor terá aqui querido guiar os seus leitores mais novos e explicar-lhes que este monstro não se teme apenas quando mergulhamos no mar. A frase do cartaz está pois incompleta. Antes do tubarão (uma fobia juvenil e geograficamente localizada) havia o cachalote, é certo. Mas depois do tubarão ainda sobra o cachalote, mesmo que enfiássemos a cabeça no travesseiro de uma cama alta de um quarto interior de  chalé de montanha, a centenas de quilómetros de oceanos sem um único recanto desconhecido das frotas baleeiras da Noruega e do Japão. 

20
Dez09

...


Eremita

 

Disciplina, disciplina, disciplina. Diz "não" a Tatiana, "não" à Paula Moura Pinheiro e a toda a televisão. Disciplina, disciplina. A literatura não é prazer. Meu Deus,  "prazer", que perspectiva absurda, sobretudo agora que António Guterres se ocupa apenas dos refugiados, uma área em que o hedonismo faz pouco sentido. Se fosse guiar as leituras pelo prazer iria regredir até ao nono ano de escolaridade da era PS e já não tenho a pachorra necessária, nem as borbulhas, nem a iliteracia. Disciplina, disciplina. Para terminar o Moby-dick é preciso ganhar a obsessão de Ahab pela baleia. 

 

 

 

18
Nov09

O cachalote


Eremita

 

Desde que interrompi a leitura de Moby-Dick, sinto que a obra me persegue. No livro de Tordo, a personagem anda com um exemplar de Moby-Dick no bolso, para simular o volume de uma arma de fogo. É um momento competente. Mas reparem agora nisto:

 

Bloqueei; bloqueei é provavelmente a palavra com o aspecto mais estrangeiro da língua portuguesa - não sei se será permitido usar a palavra "bloqueei" na literatura de campanha do PNR; quase que voltei a respirar oxigénio ao descobrir a palavra "bloqueei" no meio destas outras caucasianas sucessões de letras; parece o nome de um arpoador polinésio no Moby Dick, Queequeeg, Daggoo, Bloqueei R. Casanova

 

Primeiro o Tordo certinho, com uma alusão a um dos seus heróis literários, e depois o desconcertante Casanova. Deus fez um plano de leitura para uma das suas ovelhas tresmalhadas.

 

 

04
Nov09

Tensão homoerótica


Eremita

 

 

Há quem não possa adiar uma interpretação. Parece cada vez mais claro que o Ouriquense acusa uma tensão homoerótica sem precedentes nos blogues alentejanos que nunca publicaram fotografias de Mapplethorpe. O "primeiro diálogo erótico" tem uma referência a transexuais; o único comentário substancial ao Cachalote foi sobre uma cena em que Ismael e Queequeg partilham o leito; o sonho com Ricardo Chibanga remete para uma cena de The Crying Game em que a personagem interpretada por Forest Whitaker - um oscarizado, meu Deus! - segura no pénis de um homem algemado que pretende urinar;  comete-se a inconfidência de revelar que Igor  depila o ânus

25
Out09

Moby-Dick


Eremita

 

Há o in the mood for love e o in the mood for Moby-Dick. O segundo tem sobre o primeiro a vantagem de se traduzir na conquista de um clássico da literatura. Mas são modos - e moods - incompatíveis. 

25
Ago09

Moby-Dick


Eremita

 

A minha existência de caçador-recolector com assistência durou menos do que o previsto. Planeava ficar pelas margens da barragem até meados de Agosto e a verdade é que regressei há mais de duas semanas. Gostaria de frisar que nenhuma dependência na civilização me vergou - não dependo de pessoas e ainda menos de apetrechos. Enfim, percebi que o canivete suíço goza de uma reputação exagerada e teria dado jeito dispor de outras soluções, mas após quatro dias consegui adaptar-me ao montado e a perdiz que matei com a flaubert deu-me um ânimo que sobreviveu ao repasto cinegético. Se voltei à vila foi porque incubei um medo às noites ao relento que se tornou insuportável de gerir.

 

À partida, o montado é uma paisagem que tranquiliza. Uma vez, a caminho do cimo do Pico, nos Açores, quando passava sozinho por uma área de floresta, a cabeça disparou uma série de imagens aterrorizadoras de selvagens dissimulados nas copas, prontos a cair sobre mim. Vieram depois imagens ainda mais assustadoras, não já com o cunho National Geographic, mas sim da cinematografia americana do subgénero "terror de bosque" - especímenes que eram variações do Bigfoot e psicopatas vários que levavam vidas saudáveis, isto é, no campo. Estive quase para arrepiar caminho, mas consegui controlar-me o suficiente antes que qualquer som real - o vasculhar de uma galinha por entre os arbustos - materializasse os produtos da minha imaginação. Porém, só recuperei a tranquilidade quando rompi a cintura de floresta que abraça o vulcão e entrei nas pastagens das terras altas. Podemos teorizar: o medo irracional é inversamente proporcional à distância a que se encontra o horizonte. Por isso a noite assusta mais do que o dia, a floresta mais do que a planície, os corredores da casa assombrada mais do que o caminho para tal morada. Por isso, o clímax em The Shining acontece num apertado labirinto e Jaws é tão assustador - no mar o horizonte pode estar a milhas, mas o que conta é o horizonte vertical do plano de água, que está sempre à beira. Havia pois motivos para confiar no montado, que é paisagem ampla e em que dificilmente se arma uma cilada.

 

Quem durante um ataques de pânico retém alguma lucidez, sabe que o medo alastra pelo corpo com frentes cujo epicentro é impossível de definir e que há uma altura a partir da qual não se pode reverter a tendência. Se penso em vampiros no montado, apenas inicio este processo, podendo sempre abortá-lo. Sucede que pensei em escorpiões, nomeadamente no nosso lacrau, o Buthus occitanus. O bicho é pouco venenoso, só que imaginar este predador nocturno-crepuscular a entrar no saco-cama deu-me uma noite de insónia e um cansaço no dia seguinte que me desmoralizou. O moço de recados ainda tentou animar-me, mas nessa tarde apenas recolhi as forças para poder pedalar de volta à vila. O caminho de volta custou, porque sabia que não escapava de uma morte estúpida, o que seria redentor. É importante distinguir entre a morte estúpida e a morte azarada. Francisco Lázaro, que se untou de sebo para correr a maratona, teve uma morte estúpida. David Carradine, que  - tanto quanto se pôde apurar - gastou a vida numa brincadeira sexual, teve uma morte igualmente estúpida. Diferente é a morte azarada. Ser colhido por um carro que desrespeitou um sinal vermelho é uma morte azarada, tal como ser apanhado entre um tiroteio, sobretudo se for no restaurante. Por definição, a morte azarada não se evita. Logo, não se pode fugir de uma morte azarada. Mas se não desejamos a morte, temos a obrigação de evitar uma morte estúpida.  Ainda senti a tentação de fazer do lacrau um bicho com veneno mortal, para simular que evitava uma morte estúpida, só que não podemos abdicar do rigor. O regresso à vila foi inglório, fruto de uma fraqueza só ligeiramente menos vergonhosa do que a fobia a baratas.

 

Os poucos dias de vida ao relento fizeram-me perceber que Tatiana só me complicou a vida. Que paixão é esta por uma mulher casada, que mais não será do que uma allumeuse pudica, incapaz de atraiçoar Igor e também de retrair o dedo caprichoso que roça nos meus quando me dá o recibo? Se ninguém escapa à intrínseca falta de originalidade na paixão, é imperativo exigir o máximo do ser desejado. Convenhamos que Tatiana é analfabeta em português e que amar sem uma língua comum é sobretudo um caso de iliteracia.  Nada do que esta mulher fez é merecedor de devoção. O que vale eu ter sobreposto o seu corpo, quando ela caminhava, com imagens do meu arquivo? Fosse outro o ângulo com que a observava e não haveria hoje amor. Há algum sentido nisto? Se Tatiana nem beleza tem? Aquele nariz?  Pertence-lhe o osso, a pele e a cartilagem, mas é meu o culto. E não detecto nela as tais redeeming features; é possível que as tenha, mas não se pode fundar um amor em tal esperança. É tempo de lhe dizer que guarde o troco. Foi embalado nestas vontades que retomei o grande desígnio adiado do Ouriquense, isto é,  a leitura do cânone ocidental. 

 

Devorar o The Great Gatsby restaurou a minha urbanidade, mas agravou o mal de amor. O livrro tem momentos libertadores: I’d been writing letters once a week and signing them: “Love, Nick,” and all I could think of was how, when that certain girl played tennis, a faint mustache of perspiration appeared on her upper lip. E a voz de Fitzgerald quase conseguiu chegar próximo, no impacto sobre o leitor, da voz de Heller nesse milagre que é o Catch-22. Mas aquela teia de relações não veio nada a calhar. E fiquei indeciso quanto à morte de Gatsby, sem saber se foi azarada ou simplesmente estúpida. Decididamente, só a literatura para rapazes me pode hoje salvar. Quero livros sobre a coragem, a camaradagem e as miragens da ambição. Lancei pois a mão aos grandes livros do género entretanto catapultados para o cânone, mas que, na sua essência, não deixam de pertencer ao género de literatura que melhor subalterniza o amor. Refiro-me a Robinson Crusoe, de Defoe,  Heart of Darkness, de Conrad, e a Moby-Dick, de Melville. O primeiro é o livro da minha vida e uma nova leitura viria com o perigo de me reenviar vinte anos atrás. O segundo está num tupperware delgado de afiambrados e não me pareceu ter dimensão (física) capaz de me assegurar a purga de que necessito. Moby-dick é o calhamaço ideal e destrona o Quijote. A culpa é de Dulcineia, obviamente. Quando se remonta a uma causa esbarra-se sempre com uma mulher. 

 

 

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