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OURIQ

Um diário trasladado

OURIQ

Um diário trasladado

14
Ago10

Considerandos geo-temporais


Eremita

 

 

 

O manuscrito está (alegadamente) estruturado em três períodos:

 

Paris (1993-1995): o narrador conhece Guillaume na Cité Universitaire, durante os anos do Governo de Édouard Balladur. Têm 20 anos.

 

Lisboa (2010-2012): o narrador convive com  Guillaume e a sua família. Em 2010, Paulo tem 12 anos, Patrícia tem 10 e Pedro tem 5.  Hans chega a Lisboa com 58 anos.

 

Lisboa (2030): o narrador volta a encontrar Guillaume e a sua família. Hans continua a nadar no Tejo, apesar dos seus 78 anos.

13
Ago10

One down


Eremita

Notas

 

Como o meu editor não me autoriza a escrever sobre isto, todas as afirmações devem ser precedidas na mente do leitor pelo advérbio de modo "alegadamente".

 

Terminei ontem o primeiro rascunho do primeiro capítulo do futuro primeiro manuscrito. Fiz uma experiência com um leitor-cobaia e o resultado não foi animador, mas continuo a acreditar que a reviravolta final vai funcionar um dia e catapultar o leitor para a leitura dos capítulos seguintes.

 

Há um parágrafo que ainda sofre de excesso de pudor. Ter personagens inspiradas em pessoas reais facilita a caracterização, mas com um preço.

 

É cada vez mais claro que a Biologia vai ter um papel muito mais relevante do que havia pensado - pegar no Saturday e repetir em voz alta o que não funciona.

 

O segundo capítulo arranca com uma escrita muito mais telegráfica e será essencialmente sobre Joseph Guillaume [raios, é claro que será francês!], um maestro muito sedutor que tem a síndroma de Waardenburg.

13
Jul10

Capítulo I


Eremita

 

Haeckel

 

 

 

A frase inicial é uma mera surrogate, que serve para arrancar e será eliminada na altura das revisões. O capítulo começa bem e consigo conduzir o leitor por uma experiência após a morte sem fantasias, o que muito me agrada. Também já decidi que BW terá momentos de humor. Há Luiz Pacheco, Orson Welles e Charles Lindbergh.

 

Este método de escrever um romance só para evitar a vergonha de tudo não passar de uma invenção parece-me promissor e até patenteável. É como se a exigência de verosimilhança não ficasse pelo conteúdo da escrita e contaminasse o próprio acto de escrever. Isto parece-me tão bom que não pode ser novidade, mas deixem-me sonhar.

13
Jul10

Como não se ergue um romance


Eremita

 

Temos título e temos capa. No título vem o nome de um senhor estrangeiro, o que geralmente faz aumentar as vendas e facilita a internacionalização da obra. A capa é um espermatozóide em trajectória circular, desenhado com recurso às técnicas da ilustração científica. Como 90% dos futuros compradores que irão adquirir este produto não passarão da capa e da lombada, já fiz o grosso do trabalho. Ficam a faltar as 400 páginas.

02
Jun10

Da arte de demonizar a mulher


Eremita

Acabo de ler O Testítulo Esquerdo: Alguns aspectos da Demonização do Feminino, de Clara Pinto Correia. É um livrinho muito agradável, que se consome em hora e meia e justifica o que por ele paguei na Feira do Livro. Não me custa recomendá-lo, também por gostar de Clara Pinto Correia, de resto, ela própria uma figura demonizada desde o incidente do plágio. Clara Pinto Correia é demasiado grande para Portugal, que não é suficientemente pequeno para lhe dar o seu devido valor - um dia explico esta aparente contradição.

 

 

O nome do livro faz alusão à crença, que remonta pelo menos ao tempo de Moisés, de que "só um dos testículos do homem operava em cada ejaculação, uma vez que de cada parto só nascia, por regra, uma criança" - os gémeos resultavam de uma dupla descarga, coisa rara, e o pai de trigémeos teria três testículos. O que surpreende é a facilidade com que se provaria a inverosimilhança desta tese, embora talvez o pudor tivesse explicado que ninguém fosse confirmar a existência do trio de testículos nos pais de trigémeos. Aliás, esta suspensão da descrença é ainda mais incrível no caso da telegonia, a teoria das impressões maternas, que dizia ser a imaginação da mulher uma poderosa arma na remodelação do feto, apontando como exemplo a criança de uma princesa branca que nasceu "negra como um mouro" só porque sua mãe teria olhado para um quadro com um mouro no momento em que estava a ter relações sexuais com o príncipe. Como surpreende este teste de virgindade: "se atirarem sementes de papoila sobre carvão a arder e uma rapariga que foi deflorada inalar o fumo, verá coisas maravilhosas; se a rapariga for casta, não verá nada de extraordinário" (The Complete Masterpiece, 1741). A ideia não só é absurda por fazer o resultado de um teste da virgindade dependente da reacção ao ópio, como por fazer da mulher sob suspeita relatora do seu próprio teste. Deste e de muitos outros exemplos descritos no livro, podemos concluir que a demonização da mulher pelo homem tem feito um longo caminho e evoluiu para formas correntes já muito distantes das de antigamente pelo seu grau de apuramento, como é do conhecimento geral.

 

Este livrinho e a sua bibliografia entram para a bibliografia do magno projecto BW1.

 

 

Adenda: experimentei algum desconforto no momento em que coloquei uma foto de Clara Pinto Correia e optei depois por melhorar a minha qualidade de vida. Não posso começar a mostrar mulheres a torto e a direito. Somos fiéis a Tatiana e a fidelidade vem sempre com alguma dose de fanatismo.

13
Mai10

Uma capa


Eremita

Tive hoje uma boa ideia para a capa de BW. A genealogia próxima desta ideia é apenas aparente. Não nego que, a propósito do novo filme de Marcos Martins, se ande a falar muito da arte de desenhar círculos perfeitos e que a associação seja óbvia. Em minha defesa, só posso assegurar que contactei com a imagem fundadora da futura capa muito antes deste frenesim. Aliás, há uma diferença fundamental. No círculo perfeito desenhado com a mão solta o agente é exterior à imagem que produz e na futura capa o agente faz parte do círculo que desenha. E mais não digo, pois ainda não terminei o primeiro de 25 capítulos.

02
Mai10

As influências literárias


Eremita

O projecto secreto do Ouriquense vai crescendo: temos cerca de 6 páginas, uma grande ideia e um primeiro capítulo completamente esboçado, com um arranque já expurgado de qualquer conclusão pré-sintética e um fim de capítulo simultaneamente surpreendente, terno e bizarro. Aliás, creio mesmo poder vir a arriscar um registo tributário de Comunidade, de Luiz Pacheco, para poder juntar desconforto à surpresa, ternura e bizarria. Como não tenho essa obra de Pacheco em Ourique, descobri uma verdadeira maravilha. Tentem não fazer dinheiro com isto.

 

Estendo o pé e toco com o calcanhar numa bochecha de carne macia e morna; viro-me para o lado esquerdo, de costas para a luz do candeeiro; e bafeja-me um hálito calmo e suave; faço um gesto ao acaso no escuro e a mão, involuntária tenaz de dedos, pulso, sangue latejante, descai-me sobre um seio morno nu ou numa cabecita de bebé, com um tufo de penugem preta no cocuruto da careca, a moleirinha latejante; respiramos na boca uns dos outros, trocamos pernas e braços, bafos suor unscom os outros, uns pelos outros, tão conchegados, tão embrulhados e enleados num mesmo calor como se as nossasveias e artérias transportassem o mesmo sangue girando, palpitassem compassadamente silenciosamente duma igual vivificante seiva.   Luiz Pacheco

 

 

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