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OURIQ

Um diário trasladado

OURIQ

Um diário trasladado

31
Mai19

Como trazer os jovens para a política?


Eremita

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fonte

As miúdas mais velhas da nossa casa não querem saber de política. Mas talvez seja possível convencê-las de que investir algum tempo a ler os jornais acaba por transformar os políticos em personagens que podemos acompanhar ao longo dos anos como se assistíssemos a uma telenovela ou série televisiva sem fim. Mais do que o alarmismo sobre as alterações climáticas, acredito que este é o único argumento capaz de trazer para a política quem nunca se interessou pelo assunto. Quanto às mais novas, espero que a condição de gémeas lhes dê uma percepção precoce do desejo mimético que estimule a sua aprendizagem política. 

02
Mai19

Cães e filhas


Eremita

Os cães mostram um entusiasmo constante e canino quando o dono chega a casa. As minhas filhas só mostram entusiasmo quando lhes apetece e ainda não percebi se obedecem a alguma fórmula complexa. 

29
Abr19

Obrigado, Martin Amis


Eremita

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(pub) New Yorker

Quando as miúdas estão com birras impossíveis, tento protegê-las da minha irritação transferindo-a para aqueles pais que desaparecem da vida dos filhos quando estes são bebés e tentam a reaproximação 20 anos depois. Por vezes resulta, sobretudo se consigo recriar a imagem exacta desses pais - tentei com um pai abstracto ou uma personagem da literatura e não é a mesma coisa. Por isso, quando as miúdas começarem a ler Martin Amis, espero que ele ainda esteja vivo, pois conto dizer-lhes que lhe escrevam a agradecer-lhe por (pub)  ter sido quem como foi

24
Abr19

Joana Portuguesa


Eremita

Screen Shot 2019-05-03 at 09.29.37.png

Não sei que influência terá tido a homofonia do verso Acorda, acorda, acorda, acorda, acord' accord, de Chico Buarque (Joana Francesa), e sei que brincar com pronomes reflexivos é tão primário como aquela poesiazinha que troca o futuro pelo passado, mas há uns dias, quando estava a fazer de morto, a Joana insistiu, creio que com um rigor gramaticamente insuperável: "acorda-te, acorda-te..."

14
Abr19

A família e os amigos


Eremita

Screen Shot 2019-05-03 at 09.32.56.png

A chegada dos filhos é o grande teste de stress às amizades. Não tem o dramatismo das situações extremas em que os verdadeiros amigos se revelam e os outros mostram ser outra coisa, é um teste que resulta simplesmente da súbita falta de tempo e energia. Não chega a haver zangas, por vezes o afastamento até se dá numa cumplicidade tácita (quando o amigo também ganhou afazeres), e pouco a pouco os amigos vão rareando. Ainda as crianças não entraram na pré-primária e já os que realmente sobram se contam pelos dedos de duas mãos. Soa a aritmética bizarra, mas parece-me rigoroso concluir que o nascimento dos filhos diminui o número dos nossos amigos que a morte depois levará. 

11
Abr19

O pai que abandona os filhos


Eremita

Screen Shot 2019-04-11 at 09.26.58.png

A notícia de que quase um terço dos adolescentes deixam de ver o pai depois do divórcio apanhou-me desprevenido. Julgava-me na era do pai premium, o pai que muda fraldas e é praticamente sueco no envolvimento que tem com o filho. Admito que andava iludido pelos  baby blogs escritos por homens, os livros que preparam o pai para o nascimento do filho , o Henrique Raposo a exibir na imprensa o seu extraordinário heroísmo, a sua sapiência, a sua virtude enquanto pai (pub) ( 1, 2, etc.), enfim, por todo um novo caldo cultural que deve muito à exibição da vida familiar nas redes sociais. Mas surpreende-me a desistência dos pais, esse triste desenlace, sobretudo por saber que a vontade de ter um filho pode ser fortíssima (talvez por ter passado mais de uma década sem concretizar esse desejo). É dessa altura este texto:

 

 

 

 

19
Mar19

Dia do palhaço


Eremita

55091.jpg

Muito se perora. Não sou excepção e reconheço em mim um interesse particular pelas questões de género. Que diferença essencial existe entre o pai e a mãe na nossa casa? As nossas miúdas sabem. Elas cedo perceberam que a minha especialidade distintiva é a palhaçada, das brincadeiras físicas às intermináveis trocas de acusações sobre quem, afinal, é "patareco". Também as disciplino, claro que sim. Mas passados três anos,  é a palhaçada que me define. 

27
Ago18

O efeito Serguei Bubka


Eremita

 

 

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Numa época em que o açúcar assume o estatuto de veneno, premiar uma ida ao penico com um smarties incendiaria as redes sociais, fosse eu famoso. Mas a minha principal preocupação é se as miúdas, percebendo a falha no sistema, começam a fazer chichi literalmente às mijinhas, estratégia seguida nos meetings internacionais  - mas metaforicamente, não haja escândalo - pelo grande saltador com vara Serguei Bubka, que assim, de cada vez, ia juntando apenas um centímetro mais ao seu recorde mundial para sacar o devido prémio, quando era sabido que à porta fechada já saltava bem mais alto. 

21
Jul18

Sobre a catequese laica


Eremita

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Leonardo da Vinci | Testa di Cristo, 1495

Por outras palavras, eu não posso ensinar a bondade às minhas filhas, mas posso ensiná-las a terem a guarda levantada em relação aos seus próprios pecados. Elas têm e continuarão a ter os seus grandes momentos de bondade, mas esses momentos nascem e nascerão da sua centelha, não da minha educação. Portanto, quando elas demonstram generosidade, devo ficar feliz por elas e agradecer a Deus. O meu orgulho deve ficar no saco. Este orgulho paternal só pode sair do saco quando elas entram num momento de contrição para pedir desculpa por um erro que cometeram - orgulho na educação cristã que lhes tento dar todos os dias com a ajuda de Deus. Henrique Raposo

Não vale a pena dar o desconto por ser literalmente prosa da Rádio Renascença, pois há muitos anos que Henrique Raposo exibe o seu catolicismo com orgulho. Também não tentarei desmontar a argumentação, que está assente em premissas questionáveis e nos remeteria para a incontornável disputa entre crentes e ateus quanto à origem da moral, que a Primatologia e a Psicologia Experimental deveriam informar. Eis o verdadeiro dilema: se o ateu reconhece eficácia à religião enquanto veículo de transmissão de regras de conduta e, em simultâneo, também desconfia do espectro das alternativas laicas, que vão do eco-vegetarianismo freako-kibutziano ao egoísmo objectivista ayn-randista, com uma larga faixa central em que impera uma difusa transmissão de bons sentimentos e decência através de exemplos sensaborões, sem partilha de um referencial comum legitimado pela tradição, passará a solução por ler a Bíblia às filhas? Reformulando: além do evidente bónus de cultura, já que o desconhecimento dos episódios bíblicos é uma marca de ignorância não erradicável pela estatisticamente garantida exposição na Páscoa ao épico Ben-Hur, haverá algum mérito numa catequese expurgada de fé e aditivada com espírito crítico? Não seria para já, pois ainda são muito pequenas, mas para quê ler-lhes as Ducla Soares da vida e deixá-las à mercê das editoras de livros infanto-juvenis se temos Mateus, Lucas, Marcos, João e até Paulo? 

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